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Blog Laboro

Comportamento Alimentar e Autismo

Autora: Profa. Ma. Natércia Vieira Ribeiro Ferreira

O transtorno do espectro autista (TEA) é uma doença neurológica que se manifesta nas primeiras fases do desenvolvimento. As pesquisas genéticas mostram que a herança genética pode influenciar em até 90% no desenvolvimento da doença e que o ambiente a que o feto é exposto durante a gestação também apresenta um alto percentual, em torno de 50%. O número de casos vem aumentando em todo o mundo e segundo o Centro de Controle de Doenças Americano (CDC), em 2020, 1 em cada 54 pessoas são portadoras de autismo.

O TEA afeta aspectos comportamentais, sociais e de linguagem (verbal e não verbal), além de padrões restritivos, repetitivos e estereotipados. Além desses sintomas, muitas crianças (70-95%) apresentam alteração de sensibilidade sensorial que pode acarretar dificuldades em relação à alimentação.

O diagnóstico do TEA é feito pelo médico neurologista sendo normalmente encaminhado pelo pediatra ou outro profissional da saúde. O diagnóstico é feito de forma observacional, ou seja, pela observação dos comportamentos e interações que a criança apresenta e desenvolve, e de acordo com a apresentação dos sintomas a classificação da doença será de leve, moderada ou grave.

Dentre as possibilidades de tratamento estão intervenções e terapias com o suporte de diversos profissionais como pedagogia, fonoaudiologia, psicologia, terapeuta sensorial ABA, nutricionista, neurologista, educador físico que formam a rede sistêmica de apoio às famílias e aos pacientes.

Do ponto de vista nutricional, o TEA pode acarretar alteração de sensibilidade sensorial ocasionando seletividade ou dificuldades alimentares mais graves. Os artigos mais recentes demonstram que quanto maior o grau de TEA maior a sensibilidade sensorial e por consequência as dificuldades alimentares podem se apresentar de forma acentuada.

Se o profissional nutricionista diagnosticar a presença de seletividade ou dificuldade alimentar é importante a participação de todos os profissionais que assistem a criança, em especial a fonoaudióloga e a terapeuta sensorial, e compor uma rede de suporte para as terapias combinadas e auxiliar na introdução de novos alimentos.

No que se refere ao diagnóstico nutricional é muito comum, devido à presença das dificuldades alimentares, encontrarmos duas situações: baixo peso e/ou sobrepeso e obesidade, pois quanto maior a seletividade alimentar maiores são as mudanças no peso e as inadequações de calóricas, de macro e micronutrientes e os impactos no desenvolvimento infantil.

Outro ponto importante relacionado ao TEA é a relação do intestino com a patologia. As pesquisas com o TEA demonstram que as crianças apresentam uma tendência à proliferação de bactérias que podem promover um quadro de disbiose (alteração do funcionamento intestinal), como é o caso da bactéria CLOSTRIDIUM, predispondo o organismo dessas crianças à maiores infecções e alternância de consistência das fezes entre diarréia e/ou constipação intestinal.

Além disso, devido à essas alterações de microbiota, o intestino apresenta hiperpermeabilidade, ou seja, as barreiras protetoras são ineficientes, permitindo a passagem de macro moléculas como as proteínas do trigo e do leite.

Segundo alguns estudos, a dificuldade de quebra completa da proteína do trigo e do leite poderia acarretar formação de opióides que atravessariam a barreira hemato-cefálica (sangue-cérebro) e poderiam ocasionar ou exacerbar os sintomas do TEA.

No entanto, essa ainda é uma teoria ainda não totalmente esclarecida pelos estudos e as diretrizes brasileiras e internacionais orientam que na suspeita de alergia alimentar a crianças sejam encaminhadas ao alergista para o diagnóstico e se comprovado seja feita a remoção dos possíveis alérgenos da alimentação.

Em resumo, o TEA ainda é uma patologia que requer muitos estudos pois o que sabemos sobre poderia ser comparado à uma ponta de iceberg, por isso é importante sempre que as famílias procurem profissionais capacitados e que trabalhem em constante sintonia para a busca do melhor desenvolvimento dessas crianças.

 

Acompanhe mais um Webinar da Faculdade Laboro em nosso canal do Youtube. Na última terça-feira, 21, debatemos o tema: “Comportamento Alimentar e Autismo”.

As palestrantes:

Profa. Ma. Natércia Vieira Ribeiro Ferreira: Nutricionista. Pós-graduada em Nutrição Clínica com Residência e Treinamento em Serviço Clínico. Mestre em Saúde da Criança e do Adolescente com ênfase em autismo. Educadora em Diabetes pelo Educando Educadores em Parceria com o IDF. Atua em consultório há 12 anos com ênfase em terapia nutricional do adulto e materno infantil. Professora de cursos de graduação e pós-graduação em nutrição. Residente na Inglaterra.

Profa. Dra. Sueli Tonial Pistelli: Nutricionista. Pós-Doutoranda em Gerontologia. Doutora em Saúde da Mulher e da Criança. Mestre em Política Públicas. Especialista em Gestão e Planejamento. Diretora Geral da Faculdade Laboro.

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