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Blog Laboro

Atualizado em 27/07/2020

A terapia ocupacional na unidade de terapia intensiva (UTI) é um local de reduzida atuação profissional a qual está regulamentada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Este artigo tem o objetivo de explanar sobre os recursos terapêuticos utilizados no âmbito hospitalar da UTI através de experiências e análises de artigos e livros relacionados à atuação profissional dos terapeutas ocupacionais frente aos pacientes.

Este texto é fruto da disciplina de Pós-Graduação “Produção e Inovação Científica” ministrada como último módulo para a formação dos alunos da Laboro. Nela, os alunos aprendem como aplicar conceitos e ferramentas de forma assertiva e criativa para fomentar a inovação na ciência.

Autora: Emanuella Cristina Rodrigues Sousa, aluna de Pós-Graduação em Auditoria, Planejamento e Gestão em Saúde.

Orientadora: Professora Ma. Bruna Almeida

TERAPIA OCUPACIONAL NA UTI

A inserção do terapeuta ocupacional na unidade de terapia intensiva adulto ainda não está consolidada, mas existem avanços sugerindo a necessidade desses profissionais devido a Resolução nº 7 de fevereiro de 2010, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que dispõe dos recursos assistenciais para o funcionamento de uma UTI, incluindo o Terapeuta Ocupacional um profissional obrigatório na equipe  composta no setor (ANVISA,2010). Em 2014, o COFFITO, através da Resolução 445, estabeleceu os Parâmetros Assistenciais Terapêuticos Ocupacionais nas diversas modalidades, incluindo a UTI (adulto e pediátrica), estimando que em 6 (seis) horas de trabalho o profissional seria capaz de realizar até 8 (oito) atendimentos de 45 (quarenta e cinco) minutos a duração de cada consuta/avaliação/terapia (COFFITO,2014).

O paciente em UTI tem a disposição equipamentos de alta tecnologia para a manutenção da vida e uma equipe especializada na assistência, na qual a atuação do terapeuta ocupacional é recomendada pela legislação brasileira para favorecer o processo de recuperação do paciente crítico, considerando seu desempenho e papéis ocupacionais, habilidades, rotinas, hábitos e contextos, focando na promoção, prevenção e recuperação de acordo com as necessidades de cada indivíduo.

Considerando a assistência aos pacientes hospitalizados, o profissional da terapia ocupacional atua como suporte ao tratamento por possuir bases teóricos/práticos para o atendimento de quadros clínicos como presença em edemas de mãos, diminuição na amplitude de movimento, frequência de uso da ventilação mecânica, sedação, rebaixamento do nível de consciência e exposição aos estímulos adversos.

TERAPIA OCUPACIONAL E RECURSOS TERAPÊUTICOS NA UTI

A atuação do terapeuta ocupacional junto ao paciente hospitalizado proporciona melhores condições para o enfrentamento da internação, níveis de independência,  funcionalidade e qualidade de vida, facilitando a retomada da vida cotidiana.

O roteiro de ações da terapia ocupacional na assistência aos pacientes restritos ao leito em UTI dar-se por meio de estratégias diferentes e as possibilidades de intervenções incluem mudanças posturais, confecção de materiais para posicionamento do leito (coxins e rolos), gerenciamento da comunicação alternativa e ampliada (CAA), atividades de estimulações cognitivas, desempenho de atividades de vida diária (AVD) e identificação dos riscos de delirium.

Diante da atual situação de pandemia, ao compreender as demandas, os terapeutas ocupacionais têm um papel importante na atuação com a equipe de cuidados intensivos, ao prescrever e desenvolver recursos de tecnologia assistiva, como adaptações no posicionamento no leito para fins de manutenção/recuperação do desempenho ocupacional, como a confecção de kits compostos de coxins para a pronação do paciente grave que necessita de suporte avançado de ventilação mecânica (envolvendo regiões de cabeça, tórax, pelve, pés e mãos); além de intervenções diretas/indiretas com o uso de atividades diárias como recurso terapêutico, podendo contribuir para a restauração de habilidades de desempenho que foram perdidas e/ou para a sua manutenção (CARMO et.al, 2020).

Portanto, o terapeuta ocupacional detém um embasamento teórico-prático nas intervenções aos pacientes, estando atento aos critérios clínicos, ponderando os benefícios e riscos nos atendimentos beira leito, utilizando sempre materiais passiveis de higienização.

 

Se você se interessou por esta área, saiba mais sobre a Pós-Graduação em Auditoria, Planejamento e Gestão em Saúde.

 

REFERÊNCIAS

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA – ANVISA. Resolução nº 7, de 24 de fevereiro de 2010. Dispõe sobre os requisitos mínimos para
funcionamento de Unidades de Terapia Intensiva e dá outras providências. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 25 fev. 2010. Disponível em:
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2010/res0007_24_02_2010.html&gt;. Acesso em: 1 mai. 2020.

CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL – COFFITO. Resolução nº            445 de 26 de abril de 2014. Estabelece os parâmetros assistenciais terapêuticos ocupacionais nas diversas modalidades prestadas pelo Terapeuta Ocupacional. Disponível em <http://www.coffito.gov.br/nsite/?p=3209&gt; Acesso em: 1 mai. 2020.

BOMBARDA,T.B.; LANZA,A.L.; SANTOS,A.V.; JOAQUIM,R.H.V.T. Terapia ocupacional na unidade de terapia intensiva (UTI) adulto e as percepções da equipe. Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar, São Carlos, v. 24, n. 4, p. 827-835, 2016.

CARMO,G.P.; NASCIMENTO,J.S.; SANTOS,T.R.M.; COELHO,P.S.O. Intervenções terapêutico-ocupacionais para pacientes com COVID-19 na UTI. Rev.
Interinst. Bras. Ter. Ocup. Rio de Janeiro. 2020. suplemento, v.4(3):397-415.

CAVALCANTI,A.;GALVÃO,C. Terapia Ocupacional: fundamentação e prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,2014.

PEDRAL,C.; BASTOS,P. Terapia Ocupacional: metodologia e prática. Rio de Janeiro: Rubio,2008.

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