Roda de Conversa como Incentivo aos Enfermeiros Perioperatórios a Realizarem a Visita pré-Operatória

Esse trabalho discorrerá sobre a importância da visita pré-operatória por enfermeiros, como instrumento para minimizar a ansiedade do paciente cirúrgico e traz como inovação a realização de rodas de conversas como prática incentivadora para tal ação.

Este texto é fruto da disciplina de Pós-Graduação “Produção e Inovação Científica” ministrada como último módulo para a formação dos alunos da Laboro. Nela, os alunos aprendem como aplicar conceitos e ferramentas de forma assertiva e criativa para fomentar a inovação na ciência.

Autora: Jaquilene Sousa – Aluna da Pós em Gestão da Assistência de Enfermagem em Centro Cirúrgico e CME

O centro cirúrgico é um setor isolado e de grande complexidade dentro do contexto hospitalar. Muito dinâmico, estressante e hostil, apresenta um ambiente físico frio e fechado, o que estimula o silêncio e o distanciamento entre a equipe multidisciplinar e o paciente, transformando o cuidado em um trabalho mecânico, afirma Ribeiro, Ferraz e Duran (2017).

Por esses aspectos a visita pré-operatória, com o paciente ainda na enfermaria, junto ao seu familiar, torna-se uma ação de grande importância, é o primeiro elo entre esse paciente e o profissional que irá conduzi-lo no ambiente cirúrgico. Segundo cita Malagutti e Bonfim (2011 p.24) essa etapa é o primeiro passo para uma assistência perioperatória de qualidade e mostra que tem como finalidade educar o cliente, explicando rotinas, procedimentos, como será sua chegada ao centro cirúrgico, o que será feito e como será sua recuperação após o procedimento, esclarecendo suas dúvidas e de sua família.

A falta dessa orientação pode ocasionar um estado de ansiedade e depressão durante todo o período de internação. A ansiedade segundo cita Gonçalves et al (2017 apud Félix et al 2018) pode ser definida como um estado emocional desagradável que envolve sentimentos de apreensão e nervosismo, sendo conhecida por causar hemodinâmica anormal como consequência da estimulação simpática, parassimpática e endócrina.


                             

No período pré-operatório a ansiedade está associada a inúmeros
problemas como acesso venoso difícil, aumento da pressão arterial,
exigência de maiores doses de agentes de indução anestésica e
analgésicos, além de contribuir para complicações pós-operatórias.
Altos níveis de ansiedade influenciam negativamente os parâmetros
fisiológicos e perturbam o período pós-operatório, podendo levar ao
aumento do tempo de hospitalização cita Félix (2018).

Diante do exposto nota-se que a redução da ansiedade pode melhorar o resultado cirúrgico, diminuir o tempo de internação, e minimizar a perturbação no período pós-operatório. Surge nesse contexto o questionamento norteador do tema: Qual a contribuição das Rodas de Conversas para a prática da enfermagem no período pré-operatório?

Nota-se em alguns hospitais, principalmente no interior do estado do Maranhão, a ausência da visita pré-operatória por parte dos enfermeiros de centro cirúrgicos, os pacientes não recebem orientações, ou tiram suas dúvidas com esse profissional, que é o mais indicado para essa prática, pois é o que melhor conhece o setor cirúrgico e as etapas envolvidas nos procedimentos realizados nele. Na busca por estimular essa etapa do cuidado é que se propõe as rodas de conversas, com a intenção de levar informações e discutir os entraves que dificultam essa prática por partes desses profissionais.

Para Sampaio et al (2014) o espaço da roda de conversa intenciona a construção de novas possibilidades que se abrem ao pensar, num movimento contínuo de perceber, refletir, agir e modificar, em que os participantes podem se conhecer como condutores de sua ação e da sua própria possibilidade de ser mais. Essa prática de reunir horizontalizada possibilita um diálogo mais aberto e um compartilhamento de práticas, e realidades diferentes. Portanto nessa prática nota-se a possibilidade de alcançar um engajamento maior por parte das equipes de enfermagem, em especial dos enfermeiros perioperatórios, no que tange a visita pré-operatória como indispensável para uma melhor assistência ao paciente cirúrgico.

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REFERÊNCIAS

RIBEIRO, E.; FERRAZ, K.M.C.; DURAN, E.C.M. Atitudes dos enfermeiros de centro cirúrgico diante da sistematização da assistência de enfermagem perioperatória. REV.SOBECC, SÃO PAULO. OUT/DEZ.2017; 22(4): 201-207.

MALAGUTTI, W; BONFIM, I.M. Enfermagem em Centro Cirúrgico: Atualidades e perspectivas no ambiente cirúrgico. 2. ed. São Paulo: Martinari, 2011.

FELIX, M.M.S.; FERREIRA M.B.G.; OLIVEIRA L.F.; BARICHELLO E.; PIRES P.S.; BARBOSA M.H. Guided imagery relaxation therapy on preoperative anxiety: a randomized clinical trial. Rev. Latino-am. Efermagem. 2018; 26:e3101. [Access 15/01/2022; Avaliable in: http://www.scielo.br. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1518-8345.2850.3101.

SAMPAIO, J. et al. Limites e potencialidades das rodas de conversa no cuidado em saúde: uma experiencia com jovens no sertão de Pernambuco. Pernambuco 2014. Disponível em: http://www.scielo.br. Acesso em: 17 jan. 2022.

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