Resenha do livro “Escola e formação profissional: entre a teoria e a prática”

Resenha do livro Escola e formação profissional: entre a teoria e a prática, de Luiz Carlos Magalhães, PoD Editora, Rio de Janeiro, 2019.

Anivalda Ferreira Costa Filha

Mestranda em Ciências da Educação pela Universidade Católica de Braga (Portugal), em parceria com a Faculdade Laboro.

A recente publicação do livro “Escola e formação profissional: entre a teoria e a prática”, de Luiz Carlos Magalhães, nos leva a uma importante reflexão sobre a desconexão existente entre a teoria e a prática nas instituições escolares. O livro também amplia o debate desse processo ao apresentar os modelos de escola, de ensino e de formação mais usados pelos sistemas educacionais e que são atualmente criticados, negativa e positivamente, por pensadores sobre o tema.

Apesar de o livro ser um estudo voltado para a análise da relação existente entre a teoria e a prática na educação policial, é possível extrair uma contribuição para a educação prática e teórica dos demais profissionais que desejam aliar os conhecimentos teóricos e as habilidades práticas para desenvolver melhor sua função. Isso se deve ao fato de a obra ser um estudo amplo dos modelos organizacionais de educação, concepções de formação e correntes pedagógicas das mais diversas estruturas escolares de ensino e aprendizagem. O autor ressalta que, “O desafio do educador será o de organizar e coordenar o processo de aprendizagem, adaptando suas ações às características individuais dos alunos, buscando o desenvolvimento das capacidades e habilidades de forma individualizada…” (p. 128) e que, “(…) unir conhecimento teórico com as habilidades práticas é o grande desafio das instituições de formação profissional.” (p.30)

A obra está dividida em quatro partes, subdivididas em capítulos. Nas duas primeiras partes (p. 25 a 130), o autor faz um levantamento minucioso sobre os modelos organizacionais de educação e as concepções de formação e correntes pedagógicas. Nas duas últimas partes (p. 131 a 296), Magalhães mostra os modelos de formação policial no Brasil e no mundo e conclui com uma reflexão/percepção coletada em entrevistas com alunos desses cursos de formação que fizeram uma ligação entre a teoria e a necessidade da prática profissional nas questões do ensino. Nas considerações finais, ele destaca a preocupação geral dos educadores em verificar se o seu ensino e a aprendizagem dos alunos estão conseguindo conectar as teorias aprendidas, e ressalta “(…) a importância de se obter um lastro teórico em grande medida proporcionado pelas disciplinas teóricas e a valorização das atividades práticas a fim de aprimorar as habilidades do policial” (p. 291).

Nos modelos apresentados, o autor aponta as vantagens e desvantagens do uso de cada um e faz um estudo de como esses modelos influenciam o processo de ensino e aprendizagem de qualquer profissional. Segundo o autor, “Os modelos formais de instituições se caracterizam por ser aquelas que orientadas para objetivos pré-definidos e específicos, normalmente traçados pelos gestores institucionais, não contemplam muitas oportunidades de colaboração de outras esferas de poder. O líder é o “herói” que toca a organização à frente, e esta liderança é de quem está no ápice da pirâmide organizacional.” (p. 32)

Conforme apresentado nos capítulos que tratam dos modelos organizacionais de educação e concepções de formação e correntes pedagógicas (cap. 1 e 2), o autor destaca os tipos de formação a que é submetido o indivíduo no decorrer de sua existência, assim divididos: “(…)formação como sacrifício, formação como direito, formação como dever, formação como passatempo, formação como benefício, formação como valorização pessoal e, por fim, formação como valorização profissional”. E destaca ainda que “existem inumeráveis variáveis que influenciam o comportamento individual e diante da sociedade neste processo de aprendizagem que resulta na formação desse cidadão” (p. 89).

Nos capítulos 3 e 4, o autor trata dos modelos de formação no Brasil e no mundo e traz à reflexão do leitor os conflitos entre a teoria e a prática. O autor conclui que “(…) a visão da gestão escolar teria que ser no sentido de aproximar a escola de formação e a comunidade escolar nela inserida, para que as decisões nela tomadas tenham a participação de todos os envolvidos e não isoladamente, nas instâncias superiores da escola (p. 295)”, visto que “(…) este debate, sobre a desconexão entre a teoria e a prática, perpassa pela gestão e contamina os processos educativos das instituições escolares.” (p. 30)

Por fim, a obra de Magalhães, que chega em boa hora, nos proporciona uma importante contribuição para um tema pouco explorado na pesquisa e na literatura, e com tão poucos estudos no Brasil. A obra traz uma reflexão mais aprofundada sobre a teoria e a prática para o profissional que deseja servir a sociedade com uma formação acadêmica enriquecida, no esforço de sempre aperfeiçoar a prática com a teoria para atender as demandas crescentes de uma sociedade cada vez mais exigente.

Saiba mais sobre o Mestrado Internacional em Ciências da Educação: Administração e Organização Escolar, pela Universidade Católica de Braga (Portugal), em parceria com a Faculdade Laboro.

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