Produção e Inovação: Tratamento de esgoto doméstico de uma empresa na cidade de São Luís, MA, Brasil

Este texto é fruto da disciplina de Pós-Graduação “Produção e Inovação Científica” ministrada como último módulo para a formação dos alunos da Laboro. Nela, os alunos aprendem como aplicar conceitos e ferramentas de forma assertiva e criativa para fomentar a inovação na ciência.

Autora: Joseane Barbosa Ribeiro Santos; Eliane Aráujo Santos – Alunas do Curso de Pós-Graduação  em Engenharia de Segurança do Trabalho,

Orientadora: Profª Ma. Juara Castro

A água tem um papel fundamental e é essencial à vida, ela também é um veículo para transmissão de doenças, causando muitas epidemias. Com relação ao crescimento frequente da população, os corpos hídricos são o centro de lançamento de efluentes sem o tratamento adequado, propiciando riscos potenciais à saúde humana e causando graves problemas ambientais e sociais.

Em relação às legislações vigentes no Brasil, estabelece sobre os padrões de emissão de efluentes líquidos para fontes de emissão que lança seus efluentes em águas superficiais. Quanto às restrições, o esgoto sanitário deve atender aos padrões de lançamento conforme as Resoluções do Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA 357 (BRASIL, 2007) e 430 (BRASIL, 2011), para os parâmetros: temperatura, sólidos sedimentáveis, pH, materiais flutuantes, óleos e graxas mineral e vegetal, DBO, DQO, sólidos suspensos, nitrogênio amoniacal, coliformes termotolerantes. Neste Sentido técnicas para o tratamento de efluentes, é de suma importância no tratamento e gerenciamento de efluentes domésticos e industriais, com o objetivo de atender às legislações vigentes, deixando o ambiente aquático o mais próximo possível de sua função natural, proteção da saúde humana e para reuso da água. O principal objetivo de ambas as resoluções é a conservação da qualidade da água.

“De acordo com Sperling (2014), “Entende-se por poluição da água a adição de substâncias ou de formas de energia que, direta ou indiretamente, alterem a natureza do corpo d’água de uma maneira tal que prejudique os legítimos usos que dele são feitos”. O esgoto sanitário, segundo definição da norma brasileira NBR 9648 (ABNT, 1986), é o “despejo líquido constituído de esgotos doméstico e indústria, água de infiltração e a contribuição pluvial parasitária”. Essa norma define ainda: esgoto doméstico e esgoto industrial.

Por outro lado, as águas residuárias (efluentes) de origem industrial podem apresentar uma diversidade de substâncias que causam danos ao meio ambiente, dependendo da atividade desenvolvida pela indústria (HOFLER, MELLER, HENZEL e CANOVA, 2014). De acordo com Castro, 2001 (apud MELLER, HENZEL e CANOVA, 2014), os problemas ambientais mais frequentes podem ser:

  • Toxidez aos micro-organismos responsáveis pelo tratamento biológico dos esgotos;
  • Toxidez ao tratamento do lodo gerado no tratamento dos esgotos até sua disposição final;
  • Riscos à segurança dos trabalhadores e problemas na operacionalidade da rede de coleta e interceptação;
  • Presença de contaminantes no efluente do tratamento biológico, devido ao fato de os mesmos poderem não ser removidos pelo tratamento.

Estas situações comprometem a degradação da matéria orgânica e podem causar problemas ambientais. As principais características físicas que representam o estado em que se encontram águas residuárias são a coloração, a turbidez, o odor, a variação de vazão, a matéria sólida e a temperatura. Quanto às características químicas são a Matéria Orgânica, Demanda Bioquímica de Oxigênio, Demanda Química de Oxigênio, Nitrogênio Total, Fosfato Total e pH. Já as características biológicas são Bactérias, aeróbias, Bactérias anaeróbias e Bactérias facultativas.

Atualmente para o tratamento de esgoto é utilizado usualmente os tratamentos através dos níveis: preliminar, primário, secundário e terciário.

Tratamento de Efluente

A Estação de Tratamento de Esgoto está localizada em uma empresa especializada em montagem, engenharia e manutenção eletromecânica que atua em obras de grande porte. A empresa implantou em seu canteiro de obras em uma área industrial em São Luís, MA, em 2015, um sistema para o tratamento das águas residuárias incorporando um modelo que objetiva remover nutrientes e matéria orgânica, utilizando o reator anaeróbio (UASB) com biofiltro aerado, realizado através do tratamento do esgoto sanitário da ETE pelos processos de tratamento preliminar, com grade manual e desarenador; tratamento primário (duas unidades), por digestor anaeróbio por reator (UASB); tratamento secundário (duas unidades), por filtro anaeróbio, seguido de tratamento terciário (três unidades), sendo que a vazão máxima a ser lançada é de 15 m3 dia, com um efetivo máximo de 1.000 colaboradores, com regime de funcionamento de 10 horas, incluindo período de limpeza.

As amostras foram coletadas durante os meses de janeiro a abril de 2016 para avaliação das variáveis físicas, químicas e microbiológicas na entrada e saída da estação de tratamento para posterior análise das variáveis: Demanda Bioquímica de Oxigênio (mg/L), Demanda Química de Oxigênio (mg/L), fosfato total (mg/L P), nitrogênio amoniacal (mg/L N), óleos e graxas (mg/L), pH, sólidos suspensos (mg/L) e temperatura (ºC) em laboratório conforme metodologia descrita na norma ABNT NBR ISO/IEC 17025:2005.

Algumas resoluções ambientais consideram informações de carga poluidora, ou seja, relacionam informações qualitativas e quantitativas, no entanto pouco se discute sobre a capacidade suporte do corpo receptor. Desta forma, atividades geradoras de efluente doméstico com vazão abaixo de 10.000 m3 dia-1, podem resultar em impactos ao meio ambiente, o que não é o caso do efluente tratado nesta empresa. O efluente tratado apresentou índices normais de coliformes termotolerantes, descaracterizando impacto ao corpo receptor, segundo a Resolução CONAMA 430 (Brasil, 2011), ou seja, o processo operacional da ETE possui tratamento eficaz do esgoto doméstico gerado pela empresa, evitando assim impacto ambiental.

 

 

 

 

 

 

 

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