Produção e Inovação: Desenvolvimento de Aplicativo Móvel como complemento da Reabilitação de Pacientes com Microcefalia.

Este texto é fruto da disciplina de Pós-Graduação “Produção e Inovação Científica” ministrada como último módulo para a formação dos alunos da Laboro. Nela, os alunos aprendem como aplicar conceitos e ferramentas de forma assertiva e criativa para fomentar a inovação na ciência.

Autora: Ana Karla Almeida Cantanhêde Machado- Aluna do Curso de Pós-Graduação  em Saúde Familiar

Orientadora: Profª Ma. Juara Castro

 

Ao final do ano de 2015, o Brasil passou por um grande e preocupante desafio, uma epidemia de microcefalia. Tal fato causou um alerta para a população geral, assim como da comunidade acadêmica levando o Ministério da Saúde a decretar emergência de Saúde Pública Nacional, diante da nova Síndrome de Zica Congênita.

Microcefalia trata-se de uma má-formação cerebral, que faz com que o crânio não desenvolva normalmente. Crianças afetadas nascem com circunferência da cabeça menor do que 33 cm. Pode afetar o desenvolvimento, causando dificuldades cognitivas, motoras e de aprendizado. (COFFITO, 2016, p.05).

No âmbito da fisioterapia, a estimulação precoce no tratamento de crianças com microcefalia é de extrema importância, sendo o protocolo mais efetivo para o cuidado, acompanhando a evolução motora e cognitiva da mesma e assim preparando-a para avançar às fases de seu desenvolvimento.

Estimulação precoce é um termo que abrange uma variedade de estímulos para auxiliar o desenvolvimento motor e cognitivo de lactentes e crianças e pode ser definido como um programa de acompanhamento e tratamento multiprofissional para recém-nascidos de risco ou com alguma deficiência ( XAVIER, 2016).

No entanto, mesmo tendo conhecimento sobre a necessidade de tratamento multiprofissional ( médicos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos) para estas crianças, não há um efetivo acesso, ou disponibilidade de profissionais de reabilitação na Atenção Primária de Saúde.

Mesmo com maior disponibilidade de profissionais de reabilitação de 2007 a 2015, a oferta ainda é baixa e desigual (0,002 a 0,34 profissionais por mil habitantes) para promover universalidade, responsabilização e integralidade da atenção. Ainda não há uma recomendação clara sobre o número mínimo ou ideal de profissionais de reabilitação para fazer a assistência integral aos usuários que dela necessitam ( RODES, et al., 2016)

Assim, seria de imensa utilidade o desenvolvimento de aplicativo capaz de ensinar aos pais/tutores como desenvolver habilidades de trabalhar a reabilitação de seus filhos, no dia-a-dia da família, de maneira simples e efetiva, e sobretudo afetiva, incluindo a produção de acessórios para auxiliar nesse desenvolvimento com materiais de fácil acesso.

O uso adequado e devidamente orientado de informações sobre cuidados á saúde funciona como uma importante estratégia terapêutica para o acompanhamento de quadros patológicos e monitoramento de medidas de tratamento, o que permite maior segurança para o usuário, tendo como base a utilização de aplicativos orientados por profissionais de saúde (ROCHA, 2017).

O aplicativo tem como principal objetivo permitir melhor adequação das atividades motoras e sensoriais apropriada para cada criança, baseado na idade cronológica, através de manuseios, facilitações de postura e movimento, estímulos visuais e sonoros, na disponibilidade do lar de cada uma delas, com todo carinho e dedicação que os pais/tutores podem ofertar.

Sabe-se que trata-se de um recurso viável, que possibilitará de sobremaneira especial ás famílias que não tem acesso a este serviço, ou casos em que a mobilização dos clientes ocasionem grandes impactos financeiramente e/ou rotina da família.

O uso do aplicativo promoveria autonomia aos pais/tutores para que possam lidar, devidamente orientados, com as necessidades especificas de cada indivíduo, com evolução e alteração de plano de tratamento assim que cada fase de evolução planejada fosse alcançada, efetivando assim um ganho real ao tratamento.

Por fim, frisa-se que o uso de aplicativos como auxílio na promoção e efetivação de Saúde já é uma realidade do nosso dia-a-dia, permitindo acessibilidade á informações, qualidade de vida e hábitos saudáveis, logo este aplicativo permitiria acesso aos pais/tutores que não tem acesso a esta prestação de serviço em Saúde, uma possibilidade de cuidados, assim como a confecção dos próprios acessórios para utilizar nas sessões de estimulação em casa.

 

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