Os Desafios da Gestão de Materiais no Sistema de Saúde Pública

A Saúde Pública do Brasil sofre com a constante falta de recursos médicos-hospitalares. Por isso, este artigo aborda como a falta de um sistema de gestão de materiais eficiente afeta na qualidade do serviço prestado.

Este texto é fruto da disciplina de Pós-Graduação “Produção e Inovação Científica” ministrada como último módulo para a formação dos alunos da Laboro. Nela, os alunos aprendem como aplicar conceitos e ferramentas de forma assertiva e criativa para fomentar a inovação na ciência.

Autoras: Tayná Silva Costa e Tayana Silva Costa, alunas do MBA em Gestão e Administração Hospitalar.

A Saúde Pública do Brasil vive um momento complexo. O cenário atual provocado pela pandemia do novo Coronavírus (COVID -19) evidencia a falta de materiais médicos-hospitalares no Sistema Único de Saúde. A administração de recursos de materiais tem sido motivo de preocupação, devido aos orçamentos restritos, os produtos escassos e onerosos e as burocracias do processo licitatório.

A gestão de materiais é fundamental para o funcionamento hospitalar, pois garante os “recursos necessários para o processo produtivo da instituição com qualidade, em quantidades adequadas, no tempo correto e com o menor custo” (Fiocruz, 1998, p.21). Além disso, o estoque precisa ser constantemente abastecido, checado e ter os itens devidamente guardados para que não haja desperdícios e faltas. Planejamento, monitoramento e controle são essenciais nesse processo.

Atualmente, a falta de planejamento, controle e monitoramento configuram o maior problema na gestão de materiais da rede pública de saúde. Hoje, na fase de elaboração interna do processo licitatório (momento que é elaborado o Termo de Referência com as qualificações e quantitativo do produto), para a aquisição dos suprimentos hospitalares não consideram-se os dados de utilização de suprimentos da rede, ou seja, não há um planejamento e nem previsão da demanda, tampouco, controle e monitoramento eficiente de quanto se é usado pela rede mensalmente e anualmente. Os insumos são solicitados, somente, quando o estoque está baixo. Pelo apresentado, nota-se que não se há garantia de que uma compra fornecerá o suprimento necessário para os hospitais em quantidade suficiente. Além disso, considerando a morosidade do processo licitatório torna-se praticamente inevitável o desabastecimento da rede.

Diante do exposto, nota-se a necessidade da criação de um sistema de monitoramento para os hospitais, upas e unidades de saúde no qual as instituições tenham controle de gasto mensal e anual. O sistema deve ser interligado à Secretaria de Saúde ao qual o órgão é vinculado, a fim de todos os envolvidos no processo obtenha em tempo real informações sobre os estoques, as entradas e saída dos materiais e consiga realizar a mensuração mensalmente e anualmente dos recursos utilizados por todas as redes de saúde. Além do mais, o sistema deve gerar dados e relatórios técnicos-analíticos que permitam ao gestor tomar decisões com mais clareza, fundamentadas em dados e priorizando as urgências.

Portanto, conclui-se que um sistema de dados e monitoramento eficiente dará celeridade e clareza aos processos, ocasionando a diminuição da falta de materiais médicos-hospitalares, além de otimizar tempo e recursos.

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REFERÊNCIAS

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