Importância do exercício físico para melhorar o sono

 

O exercício físico tem um papel fundamental para melhora na qualidade do sono. O uso de escalas subjetivas para avaliação da qualidade do sono pode ser uma ferramenta rápida e prática para o profissional de educação física para avaliar o sono dos seus alunos.

Este texto é fruto da disciplina de Pós-Graduação “Produção e Inovação Científica” ministrada como último módulo para a formação dos alunos da Laboro. Nela, os alunos aprendem como aplicar conceitos e ferramentas de forma assertiva e criativa para fomentar a inovação na ciência.

Autor: Lucas Araújo, aluno do curso de Fisiologia do Exercício, Biomecânica e Personal Training.

O sono e o exercício físico influenciam-se mutuamente através de interações recíprocas, incluindo múltiplos fatores psicológicos e fisiológicos (CHENNAOUI M et al, 2014). A má qualidade do sono pode ser um sintoma importante de muitos problemas médicos e de distúrbios sono (YANG , 2012).

Os distúrbios do sono são considerados uma grande epidemia de saúde pública nos EUA. Esses distúrbios são associados a vários fatores aumentando os riscos de doenças crônicas que incluem hipertensão, diabetes tipo 2, depressão, obesidade e câncer. Adultos com esses distúrbios do sono relatam menor qualidade de vida e são menos produtivos (KELLEY, 2017).

A participação no treinamento físico tem um efeito benéfico na qualidade do sono, diminui o sono latência e uso de medicamentos para dormir. Diante disso, sugere-se que a terapia através de exercício físico pode ser uma alternativa ou abordagem complementar às terapias existentes para dormir, especialmente porque o exercício é de baixo custo, amplamente disponível e geralmente seguro, uma vez que o exercício físico é orientado(YANG , 2012). Portanto aumentar a quantidade de exercício físico é considerado um fator de melhoria para o humor, qualidade do sono e prevenção de dor (CHENNAOUI M et al, 2014).

Kelley (2017) relata que o exercício físico é uma intervenção prontamente disponível para a grande maioria dos adultos por ser não farmacológica e de custo baixo, oferece uma abordagem complementar ou alternativa para a melhora do sono.

Vendo a importância do exercício físico no sono, surge um questionamento norteador desse tema: Como um profissional de educação física pode avaliar o sono de forma rápida e prática dos seus alunos com a finalidade de incentivar a prática de exercícios para melhoria do seu sono?

Além da avaliação clínica, medidas objetivas e subjetivas podem ser utilizadas como uma forma adequada de investigação de transtornos do sono. O Pittsburgh Sleep Quality Index (PSQI) fornece um índice de gravidade e natureza de transtorno, ou seja, uma combinação de informações quantitativas e qualitativas sobre o sono. Já a Epworth Sleepiness Scale (ESS), foi desenvolvida para avaliar a ocorrência de sonolência diurna excessiva (SDE), referindo-se à possibilidade de cochilar em situações cotidianas. Por ser consideradas simples, de fácil entendimento e preenchimento rápido, estas escalas subjetivas citadas são amplamente utilizadas (BERTOLAZI, 2008).

Foi feito uma pesquisa com 30 voluntários, utilizando o Whatsapp para o encaminhamento das escalas de PSQI e ESS para avaliação do sono desses indivíduos.

Através dos dados obtidos pela pesquisa realizada, 18 indivíduos são praticantes de exercícios físicos a mais de 3 meses, e 12 voluntários não praticantes sedentários. Os dados coletados mostram que, em ambas as escalas, praticantes regulares de exercícios físicos tem uma melhor qualidade de sono, enquanto os sedentários têm um escore abaixo do recomendado (escalas em anexo).

Em virtude do que foi mencionado, para uma melhor compreensão dos alunos por partes dos profissionais de educação física, a utilização das escalas de PSQI e ESS pode ser uma medida rápida e prática utilizada como anamnese ou acompanhamento da qualidade do sono. Contudo deve-se observar que outras questões como fármacos, estresse, ansiedade, depressão e distúrbios do sono, pois podem influenciar de forma direta na qualidade do sono.

 

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REFERÊNCIAS

CHENNAOUI, m. Et al., Sleep and Exercise: A reciprocal issue? Sleep Medicine Reviews, 2014. Disponível em: <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25127157/>. Acesso em 22 de jul. 2020.

YANG, P. Y. et al. Exercise training improves sleep quality in middle aged and older adults with sleep problems: a systematic review. Journal of Physiotherapy 58:157-163, 2012. Disponível em: <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22884182/>. Acesso em 22 de jul. 2020.

KELLEY, G. A;  KELLEY, K. S. Exercise and sleep: a systematic review of previous meta-analyses. Journal of Evidence-Based Medicine, 10 (1), 26-36, 2017. Disponível em: <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28276627/>. Acesso em 22 de jul. 2020.

BERTOLAZI, A. N. Tradução, adaptação cultural e validação de dois instrumentos de avaliação do sono: Escala de Sonolência de Epworth e Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh. 2008. 93p. Dissertação (mestrado em medicina) Faculdade de Medicina. Programa de Pós-graduação em medicina. Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS). Porto Alegre, 2008. Disponível em: <https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/14041/000653543.pdf>. Acesso em 22 de jul. 2020.

 

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1 Comment
novembro 13, 2020

Muito bom este post, Parabéns !!! – Prof Paulo Coelho |

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