Fitoterapia e alimentação funcional para diabéticos

Tendo em vista o grande aumento da prevalência do diabetes na população, vêm-se buscando alternativas como a utilização da fitoterapia e os alimentos funcionais, com intuito de diminuir o uso dos medicamentos farmacológicos visando a melhoria da qualidade de vida e do custo benefício.

 

Este texto é fruto da disciplina de Pós-Graduação “Produção e Inovação Científica” ministrada como último módulo para a formação dos alunos da Laboro. Nela, os alunos aprendem como aplicar conceitos e ferramentas de forma assertiva e criativa para fomentar a inovação na ciência.

Gabriela Mota Rodrigues; Lídia Rodrigues Da Silva, alunas do curso de Nutrição Clínica e Funcional

Orientadora: Profa. Ma. Bruna Almeida

 

O Diabetes Mellitus é uma patologia acometida devido a uma série de desordens metabólicas, caracterizada pela hiperglicemia decorrente de defeitos na secreção ou ação da insulina (VOLTARELLI et al., 2008). Dentre as respectivas classificações do diabetes os principais subtipos são: O Diabetes mellitus tipo 1 e o Diabetes mellitus tipo 2. No Diabetes mellitus tipo 1 acontece uma destruição das células B pancreáticas. Já no Diabetes mellitus tipo 2 a principal decorrências é a resistência à ação da insulina, reduzindo a captação de glicose em tecidos insulina dependentes (FERREIRA et al., 2011).

De acordo com as Diretrizes SBD 2014/2015 estima-se que atualmente a população com Diabetes mellitus seja de 382 milhões, podendo atingir 471 milhões em 2035. Então questiona-se: “O uso de fitoterápicos e de alimentos funcionais poderiam ser utilizados como auxiliares no tratamento do diabetes, visando assim a diminuição do uso de medicamentos e buscando de forma mais natural a manutenção e controle da doença?”

A fitoterapia é uma parte alternativa da medicina que utiliza plantas com intuito de prevenir ou tratar inúmeras patologias. Através de estudos científicos, existem evidencias comprovadas que fitoterápicos contém benefícios e apresentam importantes propriedades hipoglicemiantes, tendo assim efeitos terapêuticos na Diabetes Mellitus (TELES, 2013).

Um grande número de fitoterápicos e espécies de plantas medicinais tem sido usado para tratar diabetes, tendo em vista que a mesma por ser uma doença crônica precisa de tratamento contínuo. Essa alternativa de tratamento é usada devido ao alto custo dos fármacos tradicionais, além disso, contribui para avaliação etnofarmacológica e direcionamento para pesquisa de espécies brasileiras que pode contribuir no tratamento da diabetes (SANTOS; NUNES; MARTINS, 2012; MARQUES et al., 2013).

De acordo com a bibliografia consultada, embasadas em estudos científicos sobre plantas medicinais ao longo dos anos, as plantas que constituem maior prevalência em relação ao auxílio no tratamento de Diabetes Mellitus são: Pata-de-vaca (Bauhinia fortificata), parte utilizada: folhas (SILVA et al,. 2008). Jambolão (Eugenia j SANTOS, M. M.; NUNES, M. G. S.; MARTINS ambolana), parte utilizada: folhas (LOGUERCIO et al,. 2005). Melão-de-são-caetano (Momordica charantia), parte utilizada: folhas (RODRIGUES et al,. 2014). Insulina (Cissus squamosa L.), parte utilizada folhas (SANTOS; NUNES; MARTINS, 2012). Vassourinha Doce (Scoparia dulcis), parte utilizada: flores, folhas, raízes e frutos (MISHRA et al,. 2013).

É imprescindível ficar atento que a parte a ser usada depende de cada planta, assim o modo de preparo deve ser equivalente com a parte ser utilizada, uma vez que partes de consistência menos rígida tais como folhas, flores, inflorescências, e frutos, ou com substâncias ativas voláteis é mais indicado infusão, já as partes de consiste mais rígidas como cascas, raízes, rizomas, caules, sementes e folhas coriáceas a decocção é o método mais ideal (SILVA e HAHN, 2011; CFN 525/2013).

Já os alimentos funcionais trazem benefícios à saúde física e mental, prevenindo assim doenças crônicodegenerativas. O alimento funcional faz parte da alimentação fornecendo nutrientes básicos e trazendo benefícios para o funcionamento metabólico e fisiológico (VIDAL et al., 2012; ANVISA).

A prevenção do Diabetes pode ocorrer através do consumo diário de alimentos funcionais, além disso, aos que manifestam a patologia, podem diminuir danos consequentes da doença afim de prevenir contra complicações causadas pela hiperglicemia (BASHO e BIN, 2010).

Através de vários estudos, pode ser comprovado que uma grande variedade de alimentos possuem substâncias benéficas que auxiliam na precaução e/ou controle de patologias como diabetes e seus agravos. Dentre esses alimentos temos como exemplo: a linhaça, a batata yacon, a cebola, a soja e o alho (BASHO e BIN, 2010 e ZAPAROLLI et al., 2013)

A intenção do uso de fitoterápicos hipoglicemiantes e a inserção de alimentos funcionais na dieta não é de substituir medicamentos registrados e comercializados por laboratórios, mas sim agir como uma alternativa terapêutica, através dos cuidados de profissionais da saúde, levando em consideração que os benefícios se somarão a terapia convencional e ainda tendo um lucro por ser um tratamento de menor custo, já que a inclusão de alimentos funcionais que apresentem um custo baixo para o consumo são medidas que podem ser adotadas mesmo por pessoas de baixa renda (SILVA et al,. 2008 e BASHO e BIN, 2010).

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REFERÊNCIAS

 

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA – ANVISA. Aprova o regulamento técnico que estabelece as diretrizes básicas para análise e comprovação de propriedades funcionais e ou de saúde alegadas em rotulagem de alimentos. Resolução n. 18, de 30 de Abril de 1999

BASHO, S. Massako,; BIN, M. C. Propriedades dos alimentos funcionais e seu papel na prevenção e controle da hipertensão e diabetes. Interbio v.4 n.1 2010

DIRETRIZES SBD. Epidemiologia e prevenção do diabetes mellitus. 2014-2015

FERREIRA, L. T et al. Diabetes Melito: Hiperglicemia crônica e suas complicações. Arquivos Brasileiros de ciências da Saúde, v.36, n. 3, p 182-8 Set/Dez 2011

LOGUERCIO, A. P. et al. Atividade antibacteriana de estrato hidro-alcoólico de folhas de jambolão (Syzygium cumini (L.) Skells). Ciencia Rural, Santa Marta,v35, n2, p.371-375, mar-abr, 2005

MARQUES, G. S et al. Estado da arte de Bauhinia forficata Link (Fabaceae) como alternativa terapêutica para o tratamento do Diabetes mellitus. Rev Ciênc Farm Básica Apl., 2013

MISHRA, M.R et al. Antidiabetic and antioxidant activity of scoparia dulcis linn. Indian J Pharm Sci. Sep 2013

O Conselho Federal de Nutricionistas (CFN). RESOLUÇÃO CFN Nº 525, DE 25 DE JUNHO DE 2013

RODRIGUES, K. A. F. et al. Prospecção fitoquimica e atividade muluscicida de folhas de momordica charantia L*. Card. Pesq., São Luís, v. 17, n.2, maio/ago. 2010

SANTOS, M. M.; NUNES, M. G. S.; MARTINS, R.D. Uso empírico de plantas medicinais para tratamento de diabetes. Rev. Bras. Pl. Med., Botucatu, v.14, n.2, p.327-334, 2012

SILVA, B. Q. S.; HAHN, R. Uso de plantas medicinais por indivíduos com hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus ou dislipidemias. R. Bras. Farm. Hosp. Serv. Saúde São Paulo v.2 n.3 36-40 set./dez. 2011

SILVA, J. P. A et al. Plantas medicinais utilizadas por portadores de diabetes mellitus tipo 2 para provável controle glicêmico no município de jequié-ba. Rev.Saúde.Com 2008

TELES, D. I. C. A Fitoterapia como tratamento complementar na Diabetes mellitus. Universidade Fernando Pessoa Porto, 2013

VIDAL, A.M et al.  A Ingestão de alimentos funcionais e sua contribuição para a diminuição da incidência de doenças. Ciências Biológicas e da Saúde | Aracaju | v. 1 | n.15 | p. 43-52 | out. 2012

VOLTARELLI, J. C et al. Terapia celular no diabetes mellitus. Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia. São Paulo .Dez, 2008

 

 

 

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