O mercado de trabalho está sofrendo mudanças constantes e velozes, dando uma nova cara para o trabalho e para as relações pessoais. É bem simples perceber as mudanças que estão ocorrendo. Basta um leve olhar ao seu redor e perceber a automação está tomando conta de diversas áreas que antes eram ocupadas exclusivamente por pessoas. As máquinas e seus softwares cada vez mais aperfeiçoados estão em todas as partes.

Antigamente, era comum pessoas iniciarem uma carreira profissional e passarem décadas atuando exclusivamente nessa área. Hoje, a dinâmica do mercado extingue profissões na mesma velocidade que cria novas oportunidades profissionais. Quem pensava em ser youtuber ou Influencer digital durante o início desse século? Quem imaginou que o nicho do marketing migraria massivamente das rádios e TVs para as redes sociais?

É nesse cenário em constante mudança que surgem as habilidades comportamentais, conhecidas como soft skills. São as habilidades comportamentais que entram no assunto como um grande e importantíssimo complemento profissional, marcando o século XXI e estão fazendo os grandes profissionais voltarem aos estudos e treinamentos.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), do primeiro trimestre de 2017, 23,6 milhões de jovens, entre 18 e 24 anos, estão desempregados. São 284 mil estádios do Maracanã lotados (BRASIL apud VIEIRA e SILVA, 2018). Inacreditável e triste realidade!

Durante o período de pandemia, as habilidades comportamentais ganharam maior evidência. As pessoas precisaram colocar em prática suas soft skills, como:

  • inteligência emocional;
  • foco;
  • disciplina;
  • resiliência;
  • determinação.
  • aprendizagem ativa;
  • estratégias de aprendizagem. (RHPortal, 2020).

Com essa dinâmica intensa do mercado econômico, que influencia todas as áreas profissionais, aprender constantemente e ter técnicas de aprendizagem eficazes faz a grande diferença, ou seja, essa habilidade determina e seleciona quais profissionais continuarão no jogo e evoluindo no mercado, passando as fases e dominando seguimentos, dos profissionais que perdem cada vez mais espaço, tendo sua fatia cada vez menor, ou pior, que sairão do mercado (BRASIL, 2019).

Duas abordagens muito utilizadas e perpetuadas são os modelos atribuídos a William Glasser, conhecido como a Pirâmide William Glasser e também, um modelo semelhante, conhecido como Cone de Aprendizagem, de Edgar Dale (SILVA e MUZARDO, 2018).

Esses modelos ganharam forte adesão e são utilizados para embasar metodologias ativas e passivas de aprendizagens. Nas metodologias passivas, o aluno tem a menor retenção do conteúdo. Em contraponto, nas metodologias ativas os alunos têm maior retenção do conteúdo (AUSUBEL, 1982).

Ora, caro leitor, nessa dinâmica feroz do mercado profissional, óbvio que optaremos pela metodologia ativa. O profissional do século XXI precisa aprender e reaprender diariamente. Porém, ao escolher a metodologia ativa, você também escolhe a passiva. Ops… Como assim? A retenção de conteúdo segue uma linha de progresso. A cada fase, você evolui para a seguinte.

Metodologias passivas e ativas

Na metodologia passiva temos a seguinte evolução, de menor para maior retenção do conteúdo. “Nós lembramos 20% do que ouvimos. Lembramos 50% do que vemos. Lembramos 70% do que tocamos. Lembramos 90% do que fazemos” (HASKELL, 1913, p. 638). Através dessas metodologias o profissional, seja ainda estudante ou já atuante, coloca-se em posição passiva quando apenas ouve e ver, interagindo com o conhecimento em sua menor amplitude. Proporcionando menor aprendizado.

Quando você passa a interagir de forma ativa, ou seja, contextualizando, contestando as informações, inferindo, deduzindo, comparando com outras fontes de informação e praticando, você tem maior retenção do conteúdo e, consequentemente, maior aprendizado. Segundo Souza e Boruchivitch (2010) “quando uma aprendizagem é significativa, ela tem o poder de gerar alterações na estrutura cognitiva daquele que aprende, mudando os conceitos preexistentes e formando novas ligações entre eles”.

As metodologias ativas aumentam significativamente o nível de retenção do conteúdo, começando com, aproximadamente, 70% ao conversar, perguntar, repetir, relatar, numerar, reproduzir, recordar, debater, definir e nomear o que deseja aprender.

E não para por aí o nível de crescimento dessa porcentagem. Quando você escreve sobre o assunto que deseja aprender mais, interpreta as informações, traduz, expressa em palavras, símbolos, desenhos ou gráficos, revisa o conteúdo, identifica, comunica, amplia as informações para outras áreas, utiliza em sua vida, demonstra, pratica, diferencia e cataloga, você aumenta a retenção para, aproximadamente, 80%. Ao utilizar essa forma, você dá um salto em produtividade e expertise na sua área de atuação.

95% de retenção

Quando você explica o conteúdo para alguém, seja numa conversa informal ou em um ambiente mais formal, como uma palestra ou ambiente acadêmico, resume o conteúdo, define, generaliza, elabora teorias ou hipóteses, e ilustra o conteúdo você dá o maior salto possível dentro das metodologias ativas. Uau… são 95% de retenção. Seu nível de domínio e expertise aumentaram de forma espantosa. Torna-se referência em sua área a medida em que vai ampliando suas práticas e ampliando seu conteúdo.

Berbel cita Bastos (2011) ao apresentar um conceito de metodologias ativas como “processos interativos de conhecimento, análise, estudos, pesquisas e decisões individuais ou coletivas, com a finalidade de encontrar soluções para um problema”.

Caro leitor, atente-se para um grande detalhe: ao evoluir para as metodologias ativas, você necessariamente acabou passando pela metodologia passiva. Através de um exemplo fica mais fácil compreender.

Imagine que você começou a ler um livro. Ao ler esse livro você tem uma retenção de aproximadamente 10% do conteúdo. Em seguida, você começa a escutar sobre o assunto, ou mesmo sobre o próprio livro. Sua retenção aumenta para 20%. Ao ver e ouvir sobre o conteúdo que você começou a estudar no livro, você salta para 50%. Não satisfeito, você começa a conversar, perguntar, repetir o conteúdo ou leitura, relata para alguém, numera tudo que aprendeu e assim por diante. Você chega em torno de 70% de retenção.

Ao perceber que seu domínio sobre o assunto aumentou, você começa a escrever sobre o assunto, interpretar de forma mais profunda, comunicar, ampliar e segue demonstrando e praticando. Você alcança em torno de 80%. Você está cada vez mais ativo e envolvido com a temática. Ao expandir suas práticas explicando, resumindo, estruturando, definindo, generalizando, elaborando e ilustrando você chega aos espantosos 95%.

Agora tens em mãos as formas mais eficientes de aprender. Daqui para frente é com você! Coloque em prática essa informação em sua área de atuação e rotina que você ampliará sua expertise profissional.

Leia também:

Plano de carreira: descubra o que é e qual a sua importância

Como ser um profissional de sucesso: dicas e características indispensáveis

O que é trainee: tudo que você precisa saber

Acesse nossas redes, consulte nossos Cursos, se inscreva em nosso Canal do YouTube e faça parte da Faculdade Laboro.

Autor:

Prof. Me. Diogo Pereira

Professor da Faculdade Laboro

Mestre em Biodinâmica do Movimento Humano. Pós-graduação em Fisiologia da Locomoção e especialista em Artes Marciais. Pós-graduado em Direito Material e Processual Civil. Pós-graduado em Direito Material e Processual Trabalhista. Pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal. Licenciado em Educação Física e Bacharelando em Direito.
Master Coach, Analista de Perfil Comportamental e Orientador Vocacional.

diogovieira@laboro.edu.br

REFERÊNCIAS

AUSUBEL D. P. A aprendizagem significativa: a teoria de David Ausubel. São Paulo: Moraes; 1982.
BERBEL, Neusi Aparecida Navas. As metodologias ativas e a promoção da autonomia de estudantes. Semina: Ciências Sociais e Humanas, Londrina, v. 32, n. 1, p. 25-40, jan./jun. 2011.
BRASIL. Empreendedorismo no Brasil – 2019. Coordenação de Simara. Maria de Souza Silveira Greco; diversos autores — Curitiba: IBQP, 2020. 200 p. : il.
BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. IBGE [2021]. Disponível em: https://covid19.ibge.gov.br/pulso-empresa/. Acessado em: 02 de Out de 2021.
HASKELL, Frances. A Good word for the Montessori method. In: Journal of Education, 18 dec. 1913, p. 637-638. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/42821420?seq=1#page_ Acesso em: 02 de Out de 2021.
RHPORTAL. Soft skills na pandemia: 5 habilidades que fazem a diferença. RHPortal, 2020. Disponível em: https://www.rhportal.com.br/artigos-rh/soft-skills-na-pandemia-5-habilidades-que-fazem-a-diferenca/. Acessado em: 02 de Out de 2021.
SILVA, Fábio Luiz da. MUZARDO, Fabiane Tais. Pirâmides e cones de aprendizagem: da abstração à hierarquização de estratégias de aprendizagem. Dialogia, São Paulo, n. 29, p. 169-179, mai./ago. 2018.
SOUZA, Nadia Aparecida de. BORUCHOVITCH, Evely. Mapas conceituais: estratégia de ensino/aprendizagem e ferramenta avaliativa. Educação em Revista. Belo Horizonte. v.26. n.03. p.195-218. dez. 2010.
VIEIRA, Paulo. SILVA, Deibson. Decifre e influencie pessoas: como conhecer a si aos outros, gerar conexões poderosas e obter resultados extraordinários. Editora Gente – São Paulo, 2018.