Educação em Saúde na Prevenção de Acidentes na Infância

Este artigo se dá por meio de um projeto realizado em um centro de saúde do Distrito Federal (DF), onde foi observado que a prevenção de acidentes na infância era um tema pouco abordado nas consultas de crescimento e desenvolvimento (CD).

Este texto é fruto da disciplina de Pós-Graduação “Produção e Inovação Científica” ministrada como último módulo para a formação dos alunos da Laboro. Nela, os alunos aprendem como aplicar conceitos e ferramentas de forma assertiva e criativa para fomentar a inovação na ciência.

Autora: Izabella Macedo Galvão, Aluna do Curso de Pós-graduação em Saúde da Família e Comunidade

Orientadora: Profa. Dra. Cristiane Parente

O projeto de intervenção que trataremos neste texto foi elaborado no eixo de Habilidade Práticas de Enfermagem (HPE), cuja finalidade é atender às necessidades atuais encontradas no cenário de atuação no qual estávamos inseridos.

De acordo com o Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) (BRASIL, 2015) o número de óbitos infantis no Brasil, de janeiro até junho de 2015, foi de 14.091 por motivos diversos, sendo que, desses, 306 são por causas externas. No DFl foram registrados 199 óbitos gerais. São consideradas causas externas os acidentes como: afogamento, queimaduras, asfixia, quedas, dentre outros (BRASIL, 2012).

Acredita-se que as ocorrências evidenciadas no âmbito externo podem ser preveníveis, o que torna essa temática preocupante e alarmante e que, muitas vezes, tem sido negligenciada pelos profissionais de saúde. Em vista disso, ao vivenciarmos as consultas de Enfermagem no nosso cenário de atuação, observamos no decorrer dos atendimentos que a promoção das medidas preventivas de acidentes na infância eram
pouco esclarecidas para a comunidade.

O projeto de intervenção executado no Centro de Saúde no 3 de Samambaia Norte abriga oito equipes de Estratégia de Saúde da Família. Cada equipe atende aproximadamente de 600 a 700 famílias mensais e são realizadas aproximadamente 20 consultas de CD ao mês.

De acordo com as observações realizadas durante o HPE, foi observado uma lacuna nas consultas de CD realizadas pelo enfermeiro no que se refere à prevenção de acidentes na infância. Diante disso, foi confeccionado um álbum seriado para ser utilizado nas consultas, um instrumento de fácil manuseio e objetivo composto por imagens que foram escolhidas de forma que ficasse mais didática para os pais/cuidadores.

Foi utilizado como base o Arco de Maguerez, que se estrutura em: observação da realidade, levantamento dos pontos-chave, teorização, levantamento de hipóteses e aplicação na realidade (COLOMBO, BERBEL, 2007).

O projeto foi realizado por intermédio das consultas de CD em que foi mostrado aos pais/cuidadores o álbum seriado com breves e claras explicações dos acidentes prevalentes na infância, segundo a faixa etária, e como desenvolver atitudes protetivas para manutenção da segurança das crianças.

O álbum foi utilizado pela estudante, posteriormente tanto pela enfermeira da unidade quanto por outros estudantes de enfermagem. Constatou-se que o instrumento foi um facilitador da promoção de educação em saúde capaz de trazer benefícios tanto para os pais/cuidadores no conhecimento a ser adquirido, quanto para o enfermeiro como estratégia norteadora na abordagem à população. A figura 1 (abaixo) mostra o
detalhamento das etapas do Arco de Maguerez realizado.

Considerando que os índices de mortalidade infantil por causas externas são elevados e que a promoção das medidas preventivas era um tema pouco discutido e elucidado para a comunidade, constatou-se que abordar esse tema com a comunidade trouxe uma maior reflexão para os pais/cuidadores de crianças.

Com a utilização do instrumento nas consultas, percebeu-se que pelo fato de o álbum seriado ser composto de imagens que transmitem informações apenas com uma pré visualização e também de fácil manuseio para o profissional, a educação em saúde ficou facilitada pois, de forma dinâmica e simples, pôde-se passar os principais pontos em relação ao tema.

Diante disso, foi observado através da expressão facial dos pais/cuidadores em relação à temática uma compreensão satisfatória e através da verbalização do profissional foi identificado que houve uma otimização de tempo e um contentamento em relação ao conhecimento transmitido.

 

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Referências Bibliográficas

BRASIL, MS. Caderneta de Saúde da Criança. Brasília 2014.
BRASIL, MS. Saúde da Criança: crescimento e desenvolvimento. Brasília, 2012.
COLOMBO, Andréa; BERBEL, Neusi. A Metodologia da Problematização com o Arco de Maguerez e sua relação com os saberes de professores. Semina: Ciências Sociais e Humanas, Londrina, v. 28, n. 2, p. 121-146, jul./dez. 2007.
FUJIMORI E; OHARA CVS; Enfermagem e a Saúde da Criança na Atenção Básica. Barueri SP. Manole 2009.
HOCKENBERRY & WILSON. WONG: Fundamentos de Enfermagem Pediátrica 8a ed. Rio de Janeiro: Elsevier 2011.
ROBERT M, Nelson. Tratado de Pediatria 18a ed. Rio de Janeiro: Elsevier 2009.
ROECKER S; BUDÓ MLD, MARCON SS. Trabalho Educativo do Enfermeiro na Estratégia de Saúde da Família: Dificuldades e perspectivas de mudanças. Rev Esc Enferm USP 2012; 46 (3): 641-9.

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