Diante do atual cenário caracterizado pela pandemia do novo coronavírus, tem ocorrido o agravamento da crise socioeconômica no país, atingindo principalmente as classes sociais mais vulneráveis, de menor renda financeira, tornando a família brasileira, nestas condições, mais suscetíveis as desigualdades sociais e com menor acesso a uma alimentação saudável.

Este texto é fruto da disciplina de Pós-Graduação “Produção e Inovação Científica” ministrada como último módulo para a formação dos alunos da Laboro. Nela, os alunos aprendem como aplicar conceitos e ferramentas de forma assertiva e criativa para fomentar a inovação na ciência.

Autoras: Carina Silva e Geyse Barbosa (alunas de pós-graduação de Nutrição Esportiva Funcional)

Orientadora: Profa. Ma. Bruna Almeida

Assim, consequentemente, a desnutrição passa ser um problema ainda maior neste período de calamidade pública. Devido a situação atual, há um grande impacto da pandemia nos preços dos alimentos, principalmente nos alimentos que compõem a cesta básica como o arroz e feijão, que é a base da alimentação brasileira e são essenciais para a saúde. Isso ocorreu por causa de distúrbios no plantio, na colheita e na comercialização.

E por outro lado há um maior número de famílias desempregadas e com redução de salários. E crianças que dependiam da alimentação na escola perderam este acesso por as escolas e creches estarem fechadas e os pais que precisavam dos filhos nestas instituições de ensinos para trabalharem encontram-se sem esta ajuda.

Portanto, este estudo objetivou-se mostrar estratégias para ajudar no combate a desnutrição dando ênfase a alimentação, porque com alimentação equilibrada ajuda prevenir várias doenças decorrente de uma alimentação incorreta.

A desnutrição proteico-energética resulta de um conjunto de condições patológicas manifestadas por deficiência de calorias, proteínas e outros déficits nutricionais podendo ocorrer por baixa ingestão, transporte ou utilização de nutrientes (GOULART & VIANA, 2008; MIACHON et al, 2009).

O grupo mais afetado e vulnerável a desnutrição são as crianças como lactentes e pré-escolares (GOULART & VIANA, 2008). E justamente as crianças são quem tem maior necessidade de alimentação saudável para o crescimento dos ossos, boa visão, desenvolvimento cognitivo, bom aprendizado, ou seja, desenvolvimento mental e físico (FERNANDES et al, 2013).

Desnutrição proteico-energética

Quando a criança é portadora de desnutrição proteico-energética, encontra-se muito próximo do colapso por viver em um tênue equilíbrio, porque aumenta as condições de morbimortalidade, interferência em sua aprendizagem por apresentar fraqueza, falta de concentração, dificuldade em memorizar e além disso esses fatores nutricionais e metabólicos ocasionados pela desnutrição poderão ainda influenciar em sua vida adulta (GOULART & VIANA, 2008; MIACHON et al, 2009; FERNANDES et al, 2013; LAROCA & CAMARGO, 2016).

Antes mesmo da pandemia pelo novo coronavírus, a desnutrição já era a causa de morbidade e mortalidade mais comum entre crianças de todo o mundo, incluindo o Brasil que apesar de ter diminuído nas últimas décadas o percentual de óbitos por desnutrição e magreza extrema em hospitais brasileiros, ainda permanecia em torno de 20%, sendo um dado muito acima dos valores recomendados pela OMS (Organização Mundial de Saúde) que era de níveis inferiores a 5% (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2005).

Os efeitos catastróficos desta pandemia incluem aumento nos preços dos alimentos, principalmente os alimentos que compõe a cesta básica, como o arroz, feijão e o óleo, essenciais para a alimentação do brasileiro, isso ocorreu por causa de distúrbios no plantio, na colheita e na comercialização (BARBOSA & JATOBÁ, 2020; MENDES, 2020).

Inclusive a ONU (Organização das Nações Unidas) e a OMC (Organização Mundial do Comercio) alertaram para o risco de escassez de comida em todo o mundo (PRESSE, 2020). Atingindo ainda mais as famílias de baixa renda e que também foram afetadas pelo desemprego causado pela pandemia.

Com isso, quase 7 milhões de crianças em todo o mundo podem sofrer os efeitos da desnutrição, perda de peso e magreza extrema (SBMT, 2020). Situação que podemos trazer para a nossa realidade, já que no Brasil hoje existem 12,9 milhões de desempregados, segundo o IBGE (2020).

Em decorrência da crise econômica e social causada pela pandemia de COVID-19, não podemos deixar que casos, principalmente os óbitos por desnutrição infantil volte a ser alarmante em nosso país, pois, “a renda é importante delimitador das escolhas alimentares” (MIACHON, 2009).

Ações de combate a desnutrição infantil

Frente a isso propomos a implementação de ações específicas para o combate dos distúrbios nutricionais e doenças relacionadas à má alimentação. Melhorar as políticas públicas voltadas as crianças de classes econômicas com reduzido poder aquisitivo. Além de cobrar o papel do Estado junto com a sociedade e com as organizações filantrópicas e os profissionais da saúde.

Outra ação específica para auxiliar no combate a desnutrição infantil é o conhecimento de reaproveitamento de alimentos, pois esta é uma alternativa capaz reduzir as deficiências nutricionais, porque nas partes que são comumente inutilizadas há nutrientes de alto valor nutricional e desta forma haverá redução de desperdício de alimentos, redução do lixo, melhor consumo nutricional e melhor aproveitamento econômico (SAMPAIO et al, 2017).

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REFERÊNCIAS
AZEVEDO, L. L. T. Desenvolvimento, pobreza e segurança alimentar na américa do sul. Dissertação (Mestrado em Economia) – Instituto de Economia, Universidade Federal de
Uberlândia. Uberlândia, p.210. 2017. Disponível em: <https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/19475/1/DesenvolvimentoPobrezaSeguranca.pf>. Acesso em: 22/10/2020.

BARBOSA, J.; JATOBÁ, M. Entenda o aumento dos preços dos alimentos. Folha de Pernambuco, Mercado. Publicado em 12/09/2020. Disponível em: https://www.folhape.com.br/economia/entenda-o-aumento-dos-precos-dos-alimentos/154446/. Acesso em: 22/10/2020.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Coordenação Geral da Política de Alimentação e Nutrição. Manual de atendimento da criança com desnutrição grave em nível hospitalar. Brasília: Ministério da Saúde, 2005. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_desnutricao_criancas.pdf. Acesso em: 22/10/2020.

FERNANDES, B. S. [et al.] Cartilha de orientação nutricional infantil. 2013, Belo Horizonte, Universidade Federal de Minas Gerais. Disponível em: http://ftp.medicina.ufmg.br/observaped/cartilhas/Cartilha_Orientacao_Nutricional_12_03_13.pdf. Acesso em: 22/10/2020.

FERNANDES, B. S. [et al.] Cartilha de orientação nutricional infantil. 2013, Belo Horizonte, Universidade Federal de Minas Gerais. Disponível em: http://ftp.medicina.ufmg.br/observaped/cartilhas/Cartilha_Orientacao_Nutricional_12_03_13.pdf. Acesso em: 22/10/2020.

GOULART, L. M. H. F.; VIANA, M. R. A. Saúde da criança e do adolescente: agravos nutricionais. Caderno de estudo do Curso de Especialização em Atenção Básica em Saúde da Família (CEABSF/NESCON/FM/UFMG). Belo Horizonte: Coopmed, 2008. Disponível em: https://ares.unasus.gov.br/acervo/html/ARES/142/1/crianca_adolescente_nutricionais.pdf. Acesso em: 22/10/2020.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Desemprego sobe para 12,2% e atinge 12,9 milhões de pessoas no 1º trimestre. Estatísticas Sociais – Alerrandre Barros. Publicado em: 30/04/2020. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/27535-desemprego-sobe-para-12-2-e-atinge-12-9-milhoes-de-pessoas-no-1-trimestre. Acesso em: 22/10/2020.

LAROCA, R.; CAMARGO, A. T. Os desafios da escola pública paranaense na perspectiva do professor PDE. Versão Online – ISBN 978-85-8015-093-3. Cadernos PDE. Volume I. Secretaria da Educação do Governo do Estado de Paraná. Artigos, 2016. Disponível em: http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/cadernospde/pdebusca/producoes_pde/2016/2016_artigo_cien_uepg_rafaelalaroca.pdf. Acesso em: 22/10/2020.

MENDES, F. Mesmo com inflação baixa, alimentos em alta preocupam governo – Matérias-primas e commodities de produtos essenciais aceleram e apertam as margens de lucro de supermercados, aos quais o presidente pediu ‘patriotismo’. Revista Veja. Economia. Publicado em: 09/09/2020. Disponível em: https://veja.abril.com.br/economia/por-que-existe-uma-falsa-sensacao-de-controle-da-inflacao/. Acesso em: 22/10/2020.

MIACHON, A. A. S., et al. Guias de medicina ambulatorial e hospitalar da UNIFESP-EPM. Guia de nutrição clínica na infância e na adolescência. Barueri, SP: Manole, 2009.

PRESSE, F. ONU e OMC alertam para risco de ‘escassez de alimentos’ provocada pelo coronavírus. Organizações fazem alerta sobre atrasos nas fronteiras para os contêineres de mercadorias e onda de restrições à exportação. Jornal G1 – Economia. Publicado em 01/04/2020. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/04/01/onu-e-omc-alertam-para-risco-de-escassez-de-alimentos-provocada-pelo-coronavirus.ghtml. Acesso em: 22/10/2020.

SAMPAIO, I. S. [et al.] A ciência na cozinha: reaproveitamento de alimentos – nada se perde tudo se transforma. Experiências em Ensino de Ciências V.12, N.4. 2017. Disponível em: https://if.ufmt.br/eenci/artigos/Artigo_ID367/v12_n4_a2017.pdf. Acesso em: 22/10/2020.

SBMT – Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. Núcleo de Medicina Tropical – UnB. Brasília – DF. COVID-19: o vírus da fome – Pandemia provocou choque econômico e de saúde que causou perda de renda, aumento dos preços dos alimentos, interrupção das cadeias de suprimentos. Publicado em: 10/08/2020. Disponível em: https://www.sbmt.org.br/portal/covid-19-o-virus-da-fome/. Acesso em: 22/10/2020.