Atuação do Enfermeiro com a Máscara Laríngea em uma Parada Cardiorrespiratória

Este texto é fruto da disciplina de Pós-Graduação “Produção e Inovação Científica” ministrada como último módulo para a formação dos alunos da Laboro. Nela, os alunos aprendem como aplicar conceitos e ferramentas de forma assertiva e criativa para fomentar a inovação na ciência.

Autora: Kellen da Silva Costa;

Curso: MBA em Gestão em Saúde e Administração Hospitalar

Orientadora: Profa. Ma. Bruna Almeida

A área de urgência e emergência, sobretudo no que tange ao atendimento da parada cardiorrespiratória, demanda intervenções rápidas e tomada de decisão baseada em avaliação clínica e embasada em conhecimentos técnico-científicos por parte do Enfermeiro, individualmente ou em conjunto com outros profissionais da saúde.

Dentre as inúmeras intervenções realizadas, a abordagem das vias aéreas é de fundamental importância na ressuscitação cardiopulmonar sendo a intubação endotraqueal considerada como padrão ouro para manejo das vias aéreas.  Por tratar-se de um procedimento o qual nem todos os profissionais estão habilitados tecnicamente e/ou legalmente para executar, dispositivos alternativos tais como a máscara laríngea tem se mostrado de grande valia durante este procedimento.

A máscara laríngea foi criada pelo médico Archie Brain em 1983 para utilização em anestesia.  Consiste de um tubo semelhante ao endotraqueal, com uma máscara inflável na extremidade distal apropriada para adaptação à faringe posterior, selando a região da base da língua e da abertura laríngea.  Seu posicionamento é feito com a introdução da máscara respeitando a curvatura normal das vias aéreas e insuflando-se o balão até que a mesma se adapte.

Durante a ventilação, o ar sai pelo orifício localizado na extremidade distal e entra pela traqueia, que é a única via aberta.  Esse dispositivo foi originalmente desenhado para permitir ventilação e manutenção de uma via aérea patente estando entre a máscara facial e o tubo endotraqueal em termos de intensidade e invasividade.

Esse dispositivo, de fácil manuseio, permite a formação de um selo hermético ao redor da laringe, diminuindo o risco de distensão gástrica e consequente aspiração e possibilita ventilação mais adequada em relação à tradicional unidade bolsa-valva-máscara.

Os estudos evidenciam que Enfermeiros treinados na utilização da máscara laríngea mostram eficiência no manejo de vias aéreas em pacientes anestesiados ou em situações de atendimento aos pacientes em parada cardiorrespiratória.

A necessidade de serem desenvolvidos estudos com maiores níveis de evidência (delineamento experimental) e a difusão do uso da máscara laríngea no Brasil apontam para uma ampliação dessa temática em termos de investigação científica e na prática profissional. Tal tendência pode consolidar um grande potencial para o desenvolvimento da prática clínica do Enfermeiro relacionada ao manejo das vias aéreas, incrementando a qualidade da assistência prestada ao paciente em situações de emergência.

Por ser uma modalidade de intervenção pouco conhecida, espera-se contribuir para formação e capacitação sobre o manuseio da máscara laríngea pelo Enfermeiro em situações de parada cardiorrespiratória, na intenção de melhorar a qualidade do atendimento prestado aos usuários.

Diante do exposto, é patente a necessidade de formação dos profissionais de saúde sobre os benefícios advindos do correto manuseio da máscara laríngea pelo Enfermeiro em situações de parada cardiorrespiratória, bem como é recomendável a divulgação dessa temática para os futuros profissionais de enfermagem, tendo em vista a padronização do manuseio, e consequentemente a segurança do paciente.

 

REFERÊNCIAS

BROCATO, C, Kett DH. Máscara Laríngea no Manuseio das Vias Aéreas. Revista Sociedade de Cardiologia, São Paulo, Jul-Ago, 1998.

GRANITOFF,N. Desfibrilação precoce praticada por Enfermeiros: análise de fatoresinfluenciadores.  2003.Tese (Doutorado).  Universidade Federal de São Paulo, São Paulo,2003.

LORENZINI, Cesar, Uso da Máscara Laríngea: Relato de Caso. Informação Clínica. Revista Brasileira de Anestesiologia, Vol. 44, Nº 2, Março-Abril, 1994.

PEDERSOLI, Cesar Eduardo. O uso da máscara laríngea pelo Enfermeiro na ressuscitação cardiopulmonar: Revisão integrativa da literatura [dissertação]. Ribeirão Preto (SP): Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Programa de Pós-Graduação em Enfermagem Fundamental; 2009.

 

 

 

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