Ambiente Hospitalar e Humanização: Breve Análise do Tratamento dos Pacientes Idosos

A devida interação entre profissionais e o idoso é fundamental para melhora do estado emocional e garantia dos direitos básicos da população idosa. É necessário promover melhoria e cobrança dos gestores do SUS, para que os idosos desfrutem dos direitos previstos nos programas e políticas dedicados a esses usuários, garantindo o cumprimento da equidade, universalidade, e integralidade como diretrizes do SUS.

Este texto é fruto da disciplina de Pós-Graduação “Produção e Inovação Científica” ministrada como último módulo para a formação dos alunos da Laboro. Nela, os alunos aprendem como aplicar conceitos e ferramentas de forma assertiva e criativa para fomentar a inovação na ciência.

Autor: Hione de Oliveira Carvalho e Carlos Alberto Estrela Fernandes, alunos do curso de Auditoria, Planejamento e Gestão em Saúde

Orientadora: Profa. Ma. Bruna Almeida

O envelhecimento da população e o aumento da expectativa de vida é tendência mundial no século XXI. Todo ano, 650 mil novos idosos são incorporados à população brasileira, a maior parte com doenças crônicas e alguns com limitações funcionais (VERAS, 2007). Entretanto, o desafio do Brasil para o século atual é oferecer suporte de qualidade de vida para essa imensa população de idosos, na sua maioria de nível socioeconômico e educacional baixo e incapacitantes pelas condições patológicas apresentadas (RAMOS, 2003).

Muito se tem discutido sobre o cuidado humanizado no ambiente hospitalar, sabendo que não exige apenas competência técnica profissional, mas é necessário compreender e perceber as necessidades de cada paciente (MORAES, 2009). Portanto, a humanização tornou-se uma preocupação dos profissionais de saúde, funcionários e gestores, representando um fator a ser considerada para se ter qualidade do atendimento em saúde, principalmente em relação aos idosos, devido às condições especiais que apresentam (Lima e col., 2010).

Diante desta situação, o Ministério da Saúde criou em 1990 o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH), com ênfase na valorização a formação educacional dos profissionais de saúde, para incorporação de valores e respeito á vida humana, assim o Ministério da saúde começou expandir o processo de humanização além de o ambiente hospitalar, juntamente com inserção dos princípios do Sistema Único de Saúde para que desta maneira os princípios de humanização esteja em defesa da vida e fortalecer a democracia e coletividade (BRASIL, 2004).

Nessa perspectiva, pretendemos refletir acerca da necessidade da inserção dos princípios de humanização no ambiente hospitalar, com o objetivo de discutir a relação dos profissionais de saúde na assistência ao paciente idoso.

REVISÃO DE LITERATURA

A Revisão de Literatura é um método de pesquisa que permite agrupar estudos primários, extraindo deles a melhor evidência científica e ampliar o conhecimento, favorecendo a sua aplicação na adoção de políticas em práticas; e nas tomadas de decisões em saúde (LOPES, et al 2008).

Troncoso e Suazo (2007) identificaram que existe uma influência dos sistemas institucionais sobre o cuidado humanizado das enfermeiras, visto que estão impregnados pelo modelo biomédico, que conduz a uma sobrecarga de trabalho acompanhada pela perda de autonomia profissional. Gordillho et al (p.138) enfatizam que “é importante considerar que as necessidades de saúde dos idosos requerem uma atenção específica que pode evitar altos custos para o Sistema de Saúde e, sobretudo, proporcionar melhores condições de saúde a essas pessoas”.

Portanto essas necessidades precisam ser identificadas e colocadas em novas práticas de saúde, para além do modelo biomédico essencialmente curativo e centrado no profissional, e não apenas no cliente. Segundo Oliveira et al (2006), a assistência no cuidado humanizado na atenção em saúde é de fato necessário dá espaço ao contexto usuário e aos profissionais da saúde, que juntos possam implementar uma rede de diálogo para promover ações, programas, e as políticas assistenciais com dignidade, respeito, solidariedade e reconhecimento.

Diante das questões abordadas, a importância do usuário é fundamental para a humanização do atendimento, devendo ser avaliada, e caso haja necessidade para programar ações de investimentos no âmbito de número de profissionais suficientes, carga horária de trabalho, ambiente de trabalho adequado, além de realização de cursos de capacitação para o desenvolvimento do cuidado (BECK et al, 2007).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando a análise dos artigos selecionados, foi possível observar que a política de humanização foi norteada a partir da Política Nacional de Humanização do SUS, elaborado para enfrentar e superar os desafios quanto à qualidade e a assistência no cuidado em saúde. É neste aspecto que se almeja na atenção básica uma melhor compreensão do processo denominada envelhecimento, cujo desenvolvimento seja visto como benigno e não uma patologia, onde os profissionais da saúde devem observar alterações expostas pelo usuário no ambiente hospitalar, afastando fatores negativos para a qualidade no cuidado humanizado (SILVESTRE et al, 2003).

Portanto, a interação entre os profissionais com o idoso é fundamental para melhora do estado emocional do mesmo. É necessário insistir na cobrança, por parte dos gestores do SUS, em providenciar os meios e os fins para que os idosos possam desfrutar dos seus direitos, tão bem colocados nos estatutos, políticas e programas dedicados a essa classe de usuários, podendo dessa maneira o cumprimento da equidade, universalidade, e integralidade como diretrizes do SUS para o bem-estar da população idosa, evidenciando a inserção da Política Nacional de Humanização.

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REFERÊNCIAS

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Morais GSN, Costa SFG, Fontes WD, Carneiro AD. Comunicação como instrumento básico no cuidar humanizado em enfermagem ao paciente hospitalizado. Acta Paul Enferm. 2009; 22(3): 54-63.

BRASIL. Ministério da Saúde. Humaniza SUS: política nacional de humanização: a humanização como eixo norteador das práticas de atenção e gestão em todas as instâncias do SUS. Brasília, DF, 2004.

LIMA, T. J. V. et al. A humanização na atenção à saúde do idoso. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 19, n. 4, p. 866-877, 2010.

VERAS, R. Fórum Envelhecimento populacional e as informações de saúde do PNAD: demandas e desafios contemporâneos. Introdução. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 23, n. 10, p. 2463-2466, out. 2007.

RAMOS, L. R. Fatores determinantes do envelhecimento saudável em idosos residentes em centro urbano: projeto epidoso, São Paulo. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 19, n. 3, p.793-797, jun. 2003.

DESLANDES, S. F. Análise do discurso oficial sobre humanização da assistência hospitalar. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 9, n. 1, p. 7-13, 2004

AMESTOY, S. C.; SCHWARTZ, E.; THOFEHRN, M. B. A humanização do trabalho para os profissionais de enfermagem Acta Paulista de Enfermagem, São Paulo, v. 19, n. 4, p. 444-449, out.- dez. 2006.

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MARTINS, J. J. et al. Políticas públicas de atenção à saúde do idoso: reflexão acerca da capacitação dos profissionais da saúde para o cuidado com o idoso. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Rio de Janeiro, v. 10, n. 3, p. 371- 382, 2007.

MARZIALE, M. H. P. A política nacional de atenção ao idoso e a capacitação dos profissionais de enfermagem. Revista Latino – Americana de Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 11, n. 6, p.701-702, nov.-dez. 2003.

TRONCOSO, M. P.; SUAZO, S. V. Cuidado humanizado: un desafio para las enfermeras en los servicios hospitalarios. Acta Paulista de Enfermagem, São Paulo, v. 20, n. 4, p.499-503, out.- dez. 2007.

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Lopes ALM, Fracolli LA. Revisão sistemática de literatura e metassíntese qualitativa: considerações sobre sua aplicação na pesquisa em enfermagem. Texto Contexto Enferm, Florianópolis. 2008 Dez;17(4):771-8.

OLIVEIRA, B. R. G.; COLLET, N.; VIERA, C. S. A humanização na assistência à saúde. Revista Latino – Americana de Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 14, n. 2, p. 277-284, mar.-abr. 2006.

BECK, C. L. C. et al. A humanização na perspectiva dos trabalhadores de enfermagem. Texto & Contexto Enfermagem, Florianópolis, v. 16, n. 3, p. 503-510, jul.-set. 2007.

Silvestre JA, Costa NMM. Abordagem do idoso em Programas de Saúde da Família. Cad Saude Publica. 2003; 19(3): 839-47.

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