Alimentos Estimuladores de Serotonina em Puérperas com Depressão

No período pós-parto podem ocorrer algumas alterações biológicas, psicológicas e sociais na puérpera. Essa fase é considerada uma das mais vulneráveis para a ocorrência de transtornos psiquiátricos. Apesar de não serem reconhecidos como entidades diagnósticas pelos sistemas classificatórios atuais, os transtornos mentais no puerpério apresentam alterações clínicas que merecem atenção e podem ser amenizadas através de uma alimentação preventiva por parte de um nutricionista

Este texto é fruto da disciplina de Pós-Graduação “Produção e Inovação Científica” ministrada como último módulo para a formação dos alunos da Laboro. Nela, os alunos aprendem como aplicar conceitos e ferramentas de forma assertiva e criativa para fomentar a inovação na ciência.

Aiane Castelo; Cintia Costa; Nélida Bastos. Alunas do Curso de Nutrição Esportiva, Funcional e Fitoterápica

Orientadora: Profa. Ma. Bruna Almeida

 

A depressão Pós-Parto (DPP) afeta tanto a saúde da mãe quanto a do filho, tornando a prevenção dessa ocorrência essencial. A manifestação do quadro de depressão acontece a partir das primeiras semanas após o nascimento do bebê. Os sintomas começam a surgir através de desânimo persistente, sentimento de culpa, incapacidade, noites má dormidas, pensamentos suicidas, diminuição ou aumento do apetite, diminuição do libido, temor de machucar o filho e transtorno do pânico.

Os primeiros dias após o parto são retratados por uma série de emoções e diversas expectativas vivenciada pela mulher. Por sua vez, esses sentimentos de turbulência promovem uma instabilidade no quadro emocional que se altera entre euforia e depressão. O sentimento da mulher é caracterizado por diversas fases, do choro a alegria (MALDONATO, 1997, p 5).

Uma alimentação especifica com enfoque nessas alterações emocionais pode ajudar mulheres com DPP. Existem alimentos com propriedades que estimulam o bem-estar, bom humor e a tranquilidade. Estes alimentos específicos possuem a capacidade de aumentar a produção de certos neurotransmissores, como a serotonina. A serotonina é considerada o hormônio da felicidade e do prazer, por ser um neurotransmissor que atua no cérebro como um mensageiro que proporciona a sensação de bem estar.

A depressão em puérperas pode estar associada aos baixos níveis de serotonina, pois na maioria das vezes essa carência é responsável por distúrbios de humor. Como estratégia preventiva, é importante dar atenção a necessidade de manter os níveis de serotonina adequados no pós-parto.

A forma mais eficiente, acessível e natural de estimular a produção desse neurotransmissor é através de uma dieta planejada com alimentos fonte. Os níveis favoráveis de serotonina dependem da oferta de alimentos contendo certos aminoácidos, como o triptofano. Além de contribuir na produção eficaz da serotonina, o triptofano também ajuda a reduzir marcadores bioquímicos de estresse, em particular o hormônio cortisol. Por ser um aminoácido essencial, o nosso corpo não é capaz de sintetizá-lo e faz-se necessário a ingestão por meio da alimentação.

Sendo assim, a puérpera deverá priorizar nessa fase, um cardápio que contenha  fontes mais concentradas desse nutriente diariamente. Alimentos como a banana, as oleaginosas (nozes, amêndoas, amendoim), aveia, arroz integral, semente de abóbora, peixes, ovos, abacate e cacau ou chocolate amargo são boas fontes desse aminoácido.  Uma boa estratégia é usar alguns desses alimentos juntos em uma vitamina, utilizar  abacate como substituto da manteiga, incluir oleaginosas e as sementes sempre nos lanches intermediários e dar preferencia as proteínas dos peixes e ovos nas principais refeições. Outra ideia prática seria preparar a biomassa de banana verde, congelar e usar 2-3 colheres diariamente.

No cardápio preventivo da depressão pós-parto, bem como o triptofano, outros nutrientes precisam ser considerados. Uma atenção especial deve ser dada aos alimentos fontes de cálcio, como leites e derivados ou folhas verdes escuras. Ganham destaque também os alimentos ricos em ômega 3, gorduras que ajudam a melhorar a saúde cardiovascular e o sistema imune, diminuindo os sintomas da depressão. O triptofano também depende da associação com outras vitaminas e minerais para produzir a serotonina, sendo a vitamina B3 (niacina) e o magnésio os principais. Ademais, as fontes de ferro, tão importantes na gestação para evitar a anemia, devem continuar fazendo parte da alimentação da puérpera, para evitar o agravamento dos sintomas.

Essa abordagem inovadora, utilizando alimentos estimuladores da produção de serotonina, pode evitar o surgimento das manifestações da depressão pós-parto de forma que a saúde da mãe e do bebê não sejam comprometidas ou evoluam para um quadro complicado. Como sabemos, a alimentação equilibrada é preventiva, e o acompanhamento nutricional durante e após a gestação pode ser uma forma acessível e simples de garantir que a mãe entre na fase do pós-parto preparada para as possíveis alterações psicológicas e consiga controlar a instabilidade do quadro emocional.

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REFERÊNCIAS

MALDONATO, M.T. Psicologia da gravidez: parto e puerpério. 14 Ed. São Paulo. Saraiva 1997.

CAVALCANTI, MC. Transtornos psiquiátricos associados à gravidez e ao puerpério. In: Remígio Neto J, Pinheiro LS, editores. Temas de obstetrícia e ginecologia. Recife: Editora Universitária da UFPE; 2001, p. 188-95.

MORAIS, I.G.S. Prevalência da depressão pós-parto e fatores associados. Rio Grande do Sul (FAPERGS – Processo n. 99/0062.0) (CNPq) 2005.

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