A Obesidade como Padrão de Beleza e o Risco à Saúde Pública

Os conceito de beleza e saúde já sofreram algumas modificações no decorrer da história humana, assim como já entraram em conflito entre si em várias oportunidades. É preciso compreender os limites dessas dimensões para não causar prejuízos à vida humana.

Este texto é fruto da disciplina de Pós-Graduação “Produção e Inovação Científica” ministrada como último módulo para a formação dos alunos da Laboro. Nela, os alunos aprendem como aplicar conceitos e ferramentas de forma assertiva e criativa para fomentar a inovação na ciência.

Autor: Emmanuelle Valeska Mendes Mota – aluna do curso de Pós-Graduação em Fisiologia do Exercício, Biomecânica e Personal Training

Orientadora: Profa. Ma. Bruna Almeida

Os conceitos de beleza e de saúde já mudaram algumas vezes no decorrer dos anos. Isso se deve à visão de mundo do homem e a sua dependência aos fatores socioculturais nos diferentes momentos históricos (VOLSKI, 2016). Se por um lado as variações do padrão estético sempre estiveram mais relacionadas à subjetividade humana, o conceito de saúde evoluiu paralelamente à ciência.

Independente do contexto, beleza e saúde deveriam conviver de forma harmônica – já que não são excludentes – mas o que se percebe é que em várias oportunidades os dois entraram em conflito. O entendimento que ser saudável era somente não ter doenças, muito difundido até o começo do século XX, contribuiu durante muito tempo, para que a busca pelo belo colocasse em risco a saúde humana.

Por volta do século X, na China, para que uma mulher fosse considerada bonita teria que ter os pés pequenos. Tal pensamento levou várias delas a amarrarem os pés com ataduras, o que causou deformidades severas em mulheres de diferentes classes sociais (BARREIROS, 2019). Mais à frente, na Europa do século XVI, bonito era ter a cintura muito fina e as mulheres usavam espartilhos tão apertados, que poderiam causar de desmaios à fraturas de costelas (LAVER, 1989).

A evolução da ciência contribuiu para ampliar o entendimento do significado de saúde, o que minimizou muitas dessas práticas insalubres de beleza.  Isto não significa que atualmente não existam condutas equivocadas envolvendo o padrão estético, mas sim que hoje dispomos de estudos científicos que podem orientar as atitudes humanas.

Os tempos modernos trouxeram mais conhecimento e com isso as pessoas tiveram mais argumentos para contestar os padrões de beleza impostos pela sociedade. Passou-se a valorizar mais as individualidades de cada um, em detrimento dos estereótipos estéticos construídos socialmente. O que por um lado foi uma grande conquista, trouxe de volta o corpo obeso como padrão estético, dessa vez mais exaltado e difundido nos meios de comunicação.

Não nos cabe, nesse momento, discutir um modelo ideal de beleza, mas alertar sobre as consequências de um corpo obeso para a saúde. Silva (2019) nos mostra que obesidade vem sendo classificada como doença desde 2008 por algumas organizações internacionais. Atualmente essa classificação já é consenso outorgado pela Organização mundial de Saúde (OMS).

Para Dâmaso, Caranti e Mello (2010, p.201) “a obesidade é uma doença com múltiplas alterações fisiopatológicas e representa um sério problema à saúde pública”. Para McArdle e Katch (2013, p. 807) “a obesidade representa uma causa importante de morte previsível na américa”. Dados da Faculdade Americana de Medicina Esportiva indicam que os problemas decorrentes da obesidade representam cerca de 7% dos gastos totais com saúde nos Estados Unidos.  Afirmam também que os custos diretos e indiretos da obesidade superam US$ 113,9 bilhões anualmente (ACSM, 2018). Dâmaso, Caranti e Mello (2010, p.201) afirmam que a obesidade “tem sido associada ao desenvolvimento de várias comorbidades, incluindo as doenças cardiovasculares, o diabete tipo 2, a síndrome metabólica e, mais recentemente, a esteatose hepática não-alcoólica”.

Diante do exposto entende-se que as pessoas são livres para seguir o padrão de beleza mais conveniente para si, mas também se faz necessário evitar comportamentos que prejudiquem a saúde do ser humano. É preciso que a sociedade comece a entender os pormenores da relação entre o belo e o saudável e comece a difundir ideias de bem-estar coletivo.  Um corpo doente causa prejuízo não somente para quem o tem, mas para a sociedade como um todo.

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Referências:

AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE. Diretrizes do ACSM para os testes de esforço e sua prescrição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018.

BARREIROS, I. Pé de lótus: mulheres chinesas fraturavam os próprios pés para conseguir casar. 2019. Disponível em: < https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-pe-de-lotus-quando-mulheres-chinesas-fraturavam-os-proprios-pes-para-casar.phtml>, Acesso em: 20 out. 2019.

DÂMASO, A.; CARANTI, D.A.; MELLO, M.T. Obesidade. In: VAISBERG, M.; MELLO, M.T. (Coord.). Exercícios na saúde e na doença. São Paulo: Manole, 2010. p. 201-206.

LAVER, J. A roupa e a moda: uma história concisa. São Paulo: Companhia das letras, 1989.

MCARDLE, W.D; KATCH, F.I; KATCH, V.L. Fisiologia do exercício: nutrição, energia e desempenho humano. 7ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.

SILVA, J. Obesidade é uma doença séria e grave. 2019. Disponível em: https://www.sonoticias.com.br/opiniao/obesidade-e-uma-doenca-seria-e-grave/, Acesso em: 20 out. 2019.

VOLSKI, V. Antropologia do corpo e saúde: das representações do corpo às concepções e práticas no campo da saúde humana. 2016. Disponível em: <http://repositorio.unicentro.br:8080/jspui/bitstream/123456789/1007/1/VOLSKI%2%20V.%20-%20Antropologia%20do%20corpo.pdf >, Acesso em: 20 out. 2019.

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