A arte como expressão de pessoas com transtorno mental

As pessoas acometidas psiquicamente antes da luta Antimanicomial, eram pacientes que ficavam retidos nos hospitais psiquiátricos por tempo indeterminado e com tratamento desumano. Partindo desse contexto, o projeto tem a intenção através de objetos mediadores propiciar um espaço de fala sobre a percepção do sentir das pessoas com transtorno mental em tratamento em Hospital dia a luz da Gestalt terapia.

Este texto é fruto da disciplina de Pós-Graduação “Produção e Inovação Científica” ministrada como último módulo para a formação dos alunos da Laboro. Nela, os alunos aprendem como aplicar conceitos e ferramentas de forma assertiva e criativa para fomentar a inovação na ciência.

Autora: Kleucielen Frota Ponte, aluna da Pós graduação em Saúde Mental e Atenção Psicossocial.

A Reforma Psiquiátrica teve início na Itália com o médico e psiquiatra Franco Basaglia, precursor do movimento de reforma psiquiátrica italiano. Esse movimento defende a atenção à saúde mental de forma digna, respeitando os seus direitos sociais e a cidadania dessas pessoas. Atualmente a Política Nacional de Saúde Mental busca consolidar um modelo de atenção à saúde mental aberto e de base comunitária, para tanto foram criados serviços como os Serviços Residenciais Terapêuticos – SRT, Centro de Atenção Psicossocial – CAPS, Ambulatório de Rua e Centro de Convivência e Hospital dia.  Este último é o serviço oferecido pelo ANANKÊ, no qual o presente trabalho será realizado.

Os hospitais psiquiátricos foram substituídos por espaços de atenção psicossocial, que traz em sua ideologia outra visão do tratamento de pacientes com transtorno mental. Estes, “enquanto serviços que lidam com pessoas, e não com doenças, devem ser lugares de sociabilidade e produção de subjetividade.” (AMARANTE, 2007, aput , BESSA, 2012, p. 212). Partindo dessa concepção o tratamento dos pacientes vai de encontro a uma visão, segundo a Gestalt-terapia, de um cuidado em estimular o desenvolvimento dos sujeitos em sua totalidade, não visando somente o transtorno.

A arte trabalhada junto a Gestalt traz a criatividade um novo sentido, onde, segundo Siqueira (2011), oferece a possibilidade da expressão da realidade, da comunicação e do contato com pensamentos, sensações e emoções. Segundo Zinker (2007, p. 21) “O ato criativo é uma necessidade tão básica quanto respirar e fazer amor. Somos impelidos a criar”. Para Siqueira (2011) o processo criativo da arte de expressar é utilizado para melhorar e aperfeiçoar o desenvolvimento físico, mental e emocional tendo em vista o bem-estar. Tem-se em vista que a autoexpressão artística no processo criativo ajuda as pessoas a lidar melhor com seus conflitos e problemas, a desenvolver habilidades interpessoais, conscientizar comportamentos, reduzir estresse, aumentar autoestima, desenvolver autoconsciência, e ter insights.

O presente trabalho psicossocial será realizado no Centro de Atenção à Saúde Mental – ANANKÊ, localizada na 712/713Norte em Brasília -DF. A clínica é uma instituição privada que presta atendimento psiquiátrico e psicoterápico a pacientes com graves distúrbios psíquicos que necessitem de cuidados intensivos e contínuos.

O projeto apresentado será feito a partir de grupos a luz da perspectiva teórica da Gestalt-terapia temática. As oficina terapêutica de arte ocorrerá em 10 encontros com duração de 1 hora e 30 minutos cada, um encontro por semana, e cada encontro se iniciará com base em uma atividade estímulo que proporcione um espaço de liberdade criativa dentro da relação terapêutica (Alvim, 2007, p.141). Esse conceito de arte em conjunto com a terapia pode ocorrer considerando que “a Gestalt-Terapia foi concebida por pensadores e clínicos que eram envolvidos em disciplinas artísticas: poesia, música e dança, teatro” (Alvim, 2007, p.140). A arte dentro do grupo terapêutico permite maior variedade de formas de expressão e de comunicação, e, “quando são experienciadas como processos, essas atividades permitem ao artista se conhecer como uma pessoa inteira, dentro de um intervalo de tempo relativamente breve.” (ZINKER, 2007, p.159).

Ao longo de cada encontro os pacientes terão um momento de fala com a devido acolhimento psicoterapêutico. As produções ao final dos encontros serão divulgadas com a finalidade de estimular a produção artística de cada paciente.

Se você se interessou por esta área,
saiba mais sobre a
Pós graduação em Saúde Mental e Atenção Psicossocial.

REFERÊNCIAS

ALVIM. M. B. Experiência Estética e corporeidade: fragmentos de um diálogo entre Gestalt-Terapia, Arte e Fenomenologia. Estudos e pesquisas em psicologia, UERJ, RJ, v. 7, n. 1, p. 138-146, abr. 2007

BESSA, Patrícia Silva – Gestalt -Terapia e cuidado em saúde mental: Um diálogo possível e necessário. Revista IGT na Rede, v. 9, nº 17, 2012, p. 210 – 222. Disponível em http://www.igt.psc.br/ojs ISSN: 1807-2526

SIQUEIRA, F. B.. A arte terapia Gestáltica como instrumento na clínica individual com clientes que estão esquizofrênicos. Revista IGT na Rede,V.8, Nº.15, 2011 Página 185 de 201 Disponível em <http://www.igt.psc.br/ojs/ ISSN 1807-2526>______ (1969). Gestalt Terapia Explicada. 7a.edição. São Paulo: Summus, 1977.

ZINKER, J. O Processo Criativo em Gestalt–terapia. São Paulo: Summus Editorial, 2007.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Educação Elitizada ou Direito para todos

Compreendendo que dentro da educação existe o extremismo, que perambula por muitos ambientes e de vários contextos, o que torna imensamente complicado falar de acesso